Estátua colossal do imperador romano Marco Aurélio é encontrada na Turquia

Andrés Mourenza Istambul (Turquia), 27 ago (EFE).- Um grupo de arqueólogos encontrou na Turquia uma estátua colossal do imperador romano Marco Aurélio, confirmou à Agência Efe o responsável pelas escavações, Marc Wealkens.

EFE |

A equipe de arqueólogos da Universidade Católica de Louvain (Bélgica) fez a descoberta na semana passada, na antiga cidade romana de Sagalassos, localizada na Cordilheira de Taurus (sul da Turquia), onde os pesquisadores trabalham desde os anos 90.

O professor Wealkens explicou à Efe que a importância da descoberta da estátua está, por um lado, na "perfeição com que foi esculpida".

Além disso, a escultura faz parte de um enorme grupo de representações semelhantes de vários membros da dinastia Antonina, responsável pelos governantes mais valorizados da história do Império Romano e que reinou entre os anos 96 e 192 de nossa era, tornando esta família a que mais tempo permanceu à frente de Roma.

Os restos da escultura já revelados pertencem à cabeça de Marco Aurélio, que mede cerca de 80 centímetros e pesa aproximadamente 350 quilos.

Marco Aurélio, nascido em 121 d.C, foi considerado o último dos "Cinco Imperadores Bons" de Roma e reinou por quase duas décadas, desde o ano 161 até a sua morte, em 180.

Por seus dotes de filósofo - foi um dos expoentes máximos do estoicismo - e sua retidão como líder, ganhou o apelido de "O Sábio". Além isso, seu legado está reunido nas "Meditações", elogiada obra que trata do Governo ideal.

Em julho de 2007, a equipe de arqueólogos da Bélgica também encontrou os restos de uma estátua do imperador Adriano, que governou Roma 117 e 138 d.C.

A magnitude da estátua de Adriano pode ser imaginada a partir do tamanho dos pedaços recuperados: só sua cabeça mede 70 centímetros, enquanto a parte inferior da perna, entre o joelho e o tornozelo, tem 1,5 metro de comprimento.

Além disso, há algumas semanas, foi recuperada, praticamente intacta, a cabeça de Faustina, a Velha, mulher do imperador Antonino Pio, que governou entre 138 e 161 d.C.

Calcula-se que estas estátuas tinham entre quatro e cinco metros de altura, até que um terremoto no século IV reduziu a escombros as termas nas quais elas ficavam, e uma praga dizimou a população local, provocando o posterior abandono da localidade romana.

Considerada uma das mais bem conservadas cidades da Antiguidade, as ruínas de Sagalassos se erguem entre as rochas dos montes Taurus, a mais de 1.400 metros de altitude.

Seus restos foram apresentados ao público europeu no início do século XVIII pelo explorador francês Paul Lucas, que acreditava ter encontrado uma cidade fantástica, "habitada por fadas", como explicam os pesquisadores belgas em seu site.

Além das ruínas romanas, o local guarda indícios de que humanos o habitaram há cerca de 10.000 anos. Além disso, sabe-se que a cidade de Sagalassos era a mais próspera da antiga região de Pisidia quando foi conquistada por Alexandre, o Grande, no século IV a.C.

No início de nossa era, o Império Romano absorveu esta região e o imperador Adriano nomeou Sagalassos capital de Pisidia e centro do "culto ao imperador", por isso a devoção pela dinastia Antonina e a presença de tantas esculturas.

"As estátuas de Marco Aurélio, Adriano e Faustina se encontram no que se costuma chamar de Sala dos Imperadores das termas romanas, que normalmente era dedicada ao governante do império", esclarece Wealkens.

Segundo o professor belga, a Sala dos Imperadores correspondia, provavelmente, ao "frigidarium", ou área fria das termas, que, no caso das de Sagalassos, trata-se de um quarto em forma de cruz com aproximadamente 1.250 metros quadrados, coberto de mosaicos.

Segundo a Universidade Católica de Louvain, a construção destas termas romanas pode ter começado no reinado de Adriano - embora só tenha sido concluída várias décadas depois -, assim como o santuário do culto aos imperadores Adriano e Antonino Pio, também encontrado em Sagalassos.

Os arqueólogos belgas acreditam que, como também foram encontrados dois pés femininos e um vestido, ainda podem ser encontradas novas figuras de pessoas pertencentes ao núcleo de Adriano, como sua mulher Vibia Sabina, forçada a se casar com ele aos 14 anos, e Antinous, o amante do imperador. EFE amu/bm/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG