SÃO PAULO - O estado de conservação do Teatro Cultura Artística criou as condições favoráveis para a propagação do incêndio que destruiu quase que totalmente o espaço na madrugada de 17 de agosto. Essa é uma das principais conclusões do laudo pericial do Instituto de Criminalística (IC), órgão ligado à Secretaria de Segurança Pública do Estado, que foi concluído na terça-feira e já está à disposição das autoridades policiais.

O documento também descarta que a tragédia possa ter sido causada somente por um curto-circuito e não aponta indícios de uma ação criminosa, embora essa última suposição ainda possa ser investigada pela polícia.

O trabalho dos peritos Antônio Roberto Antunes Lazaro e Ivo Valentini, do Núcleo de Engenharia do IC, abre um leque de hipóteses e não elege culpados. O fogo teria começado na região do palco da Sala Esther Mesquita, a maior do Cultura Artística, com capacidade para 1.156 pessoas - a investigação da polícia apontou que as chamas se propagaram primeiramente pelo lado esquerdo do palco. Uma das principais hipóteses para o início do incêndio seria um fenômeno termoelétrico, que pode ser provocado por um superaquecimento do sistema de iluminação ou da própria fiação elétrica. Também não está descartada a suposição de uma causa externa de combustão, como um fósforo ou um cigarro jogado ainda aceso.

Mesmo sem chegar a uma conclusão final, os peritos apontam que, se não fosse o estado de conservação do Cultura Artística, o fogo não teria tomado as proporções de tragédia. O IC usou como referência dezenas de fotos tiradas no dia 29 de maio por um arquiteto do curso de especialização da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Nelas, é possível ver fios expostos no palco da Sala Esther Mesquita, ferrugem nas soldas da caixa de disjuntores, infiltrações, concreto desgastado nas paredes e muita madeira deteriorada. Tais imagens foram anexadas ao inquérito e enviadas ao IC.

Segundo os peritos, o sistema de iluminação pode ter superaquecido ou os próprios fios poderiam estar sobrecarregando o sistema elétrico. Como havia uma grande quantidade de pano, madeira e pó - componentes altamente inflamáveis - o fogo se propagou mais facilmente.

O IC ainda afirma que, como o Cultura Artística não contava com equipamentos de combate a incêndio mais modernos (como sprinklers, pequenos chuveiros automáticos), o fogo não pôde ser contido.

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