Esquema começou a ser montado no fim do terceiro mandato de Roriz, diz ex-secretário

No último dia 3 de dezembro, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa afirmou ao Ministério Público Federal (MPF) que o atual esquema de corrupção dentro do Governo do Distrito Federal começou a ser montado ainda quando José Roberto Arruda cumpria seu mandato de deputado federal, encerrado em 2006. Hoje governador denunciado por escândalo envolvendo repasse de propinas, Arruda passou a operar, segundo o relato, com empresas de informática dentro da gestão de Joaquim Roriz, seu antecessor no cargo.

Fred Raposo e Matheus Leitão, iG Brasília |


No depoimento, um dos 16 contidos no quarto volume do inquérito em andamento no Superior Tribunal de Justiça, ao qual o iG teve acesso com exclusividade, Durval afirma aos investigadores do MPF: (...) no ano de 2002, tão logo declarada a vitória do então deputado José Roberto Arruda, este passou a dizer abertamente que Joaquim Roriz havia sido eleito governador do DF em razão da expressiva votação recebida por ele no pleito para deputado federal, com aproximadamente 320 mil votos.

O ex-secretário conta que foi procurado pela primeira vez por Arruda em novembro de 2002, fim do terceiro mandato de Roriz, quando presidia a Codeplan (Companhia de Planejamento do DF). De acordo com o relato, a Codeplan celebrou, entre junho e dezembro de 2005, "diversos contratos emergenciais com empresas de informática", que, embora "sob o controle de Arruda", foram feitos por "interferência" junto "ao próprio governador Joaquim Roriz".

Arruda requereu a relação de empresas contratadas, a relação de contratos, valores dos contratos, faturas mensais, vencimentos e órgão ao qual estava vinculado o serviço, disse Durval ao MPF.

Segundo o depoimento, Arruda prometeu às empresas de informática participantes da arrecadação que garantiria contrato de no mínimo R$ 5 milhões com o GDF, caso fosse vitorioso na eleição realizada em 2006. A finalidade, afirma o ex-secretário, era bancar a campanha de Arruda: (...) a maioria das empresas contratadas nesse período repassou recursos diretamente a Arruda ou à campanha eleitoral de Arruda em 2006, com o pagamento de despesas.

Em 28 de novembro, um dia após ter sido desencadeada a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o iG publicou em primeira mão o vídeo de Arruda recebendo suposta propina de Durval. Veja aqui a gravação .

A assessoria de imprensa de Joaquim Roriz afirma que o ex-governador "não comenta nenhum fato relacionado" ao escândalo no DF. Por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa de Arruda, o advogado do governador, José Gerardo Grossi, nega as acusações, que chama de "infundadas, irresponsáveis e caluniosas", e afirma que as "doações que o governador recebeu, na campanha de 2006, estão registradas no Tribunal Regional Eleitoral".

Veja o volume 4 do inquérito (o depoimento em que é detalhado a montagem do esquema está entre as páginas 36 e 41 do arquivo em pdf).

Leia também:


Leia mais sobre: Escândalo no DF

    Leia tudo sobre: arrudacorrupçãodistrito federaldurvaldurval barbosa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG