Especialistas propõem nova classificação para dengue

Pesquisadores especialistas em dengue propõem um novo sistema de classificação da doença, pois estão insatisfeitos com o atual, que divide os casos em dengue e febre por dengue hemorrágica (FDH). Esses critérios seguem as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), estabelecidos em 1994.

Agência Estado |

O que os especialistas alegam é que esse sistema vem levando à subnotificação das formas mais graves da doença, porque não preenchem a todos os critérios para classificação de dengue por febre hemorrágica.

Um novo sistema de classificação foi discutido hoje no 2º Simpósio Nacional sobre o Dengue, na Academia Nacional de Medicina, no Rio. De acordo com o infectologista do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) Ricardo Tristão Sá, o protocolo atual pode gerar confusão na hora de diferenciar a dengue clássica da dengue hemorrágica. "É um paradoxo, pois temos casos de dengue clássica com sangramento e febre por dengue hemorrágica sem sangramento aparente", disse ele.

Pelos critérios da OMS, só podem ser classificados com febre por dengue hemorrágica os casos em que houver todos os seguintes sintomas: quadro compatível com a dengue, alguma manifestação hemorrágica, mesmo que sejam apenas manchas vermelhas, plaquetas abaixo de 100 mil por milímetro cúbico e 20% de extravasamento de plasma, que é medido pelo número de hematócritos. "A pressão baixa às vezes é um sinal de alerta para a gravidade maior do que o sangramento, que também é comum de ocorrer em casos de dengue clássica", afirmou Tristão Sá.

O Ministério da Saúde adota, desde o final dos anos 90, a classificação de dengue com complicações. No entanto, quando esses números são repassados à OMS, eles são incorporados à estatística de dengue clássica. O novo sistema de classificação proposto por Tristão Sá acaba com a terminologia "dengue hemorrágica" e passa a dividir os casos em dengue, dengue potencialmente grave e dengue grave. Os critérios seriam se existe, não existe ou existe em pequeno grau: sinais de extravasamento de plasma, sangramento, queda no número de plaquetas e disfunção no funcionamento dos órgãos.

"Temos que fazer um estudo representativo, com um grande número de pessoas, de todas as idades, de vários países, para que possamos chegar numa classificação que melhore a assistência", alertou. Para ele, algumas mortes podem ter acontecido porque a população está acostumada a pensar que a dengue clássica não mata e que a dengue hemorrágica é fatal. No município do Rio, das 50 mortes confirmadas, 28 foram por dengue hemorrágica e 22 de complicações da dengue. Hoje, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou a morte de um homem de 46 anos, no dia 8 de abril, no Hospital da Obra Portuguesa, no centro.

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