Ocupação desordenada associada a formação geológica instável e chuva intensa foram os ingredientes do desastre

O motivo da enchente na serra fluminense foi a combinação de muita chuva, a formação geológica da região e a construção desordenada. Em dois dias, choveu na região mais que a média mensal para esta época do ano. No caso de Nova Friburgo, entre as noites de segunda (10) e terça-feira (11), foram 279 mm de precipitação, enquanto a média para todo o mês de janeiro na cidade era de 232 milímetros. A meteorologista do Inmet Maria das Dores de Azevedo explicou ao iG que um milímetro equivale a litro de água em 1 metro quadrado. “É muita chuva”, disse.

A Serra Fluminense é uma região de áreas suscetíveis a deslizamento. Isto porque o terreno a composição geológica das encostas íngremes da área favorece a erosão. “As encostas acabam gerando erosão e a partir dela formam-se solos pouco espessos”, disse o professor de Geotecnia da COPPE/UFRJ, Maurício Ehrlich. “Este solo satura com facilidade, a água da chuva aumenta sua massa, o que facilita a formação de queda de barreiras”, disse.

Para o professor, o problema na Serra Fluminense é a ocupação desordenada em uma área com formação geológica que precisa de atenção. “É uma região que naturalmente já é ruim de estabilidade. Daí ocupam desordenadamente, sem cuidado, alteram a inclinação do terreno, é este o resultado”, disse.

O professor afirma que seria necessária uma ocupação mais criteriosa, não construindo nas áreas de encosta e com medidas compensatórias como, por exemplo, manter a vegetação natural, que protege contra as quedas de barreira, pois as raízes das árvores seguram o solo. A construção de casas acaba também por alterar o corte do terreno, que ficam mais íngremes.

“A cada ano que passa pode ser pior”, disse Ehrlich ao levar em conta que a ocupação nestas áreas é cada vez maior.

De acordo com o sistema de meteorologia a previsão é de chuva na serra fluminense até 14 de janeiro. As fortes chuvas foram causadas pela associação de uma frente fria que veio do Sul do país (a mesma que provocou chuvas em São Paulo) com a zona de convergência do Atlântico Sul – formação de nuvens que vem desde o Norte, passando pelo Centro e sudeste do País. A temperatura e a umidade estavam altas na região serrana, o que acabou por provocar chuvas.

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