Especialistas divergem sobre falhas da Polícia no caso Villela

Juristas discordam sobre influência das diferentes versões e participação extra-oficial de delegacias nas investigações

Severino Motta, iG Brasília |

As idas e vindas da Polícia Civil no caso do assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, sua esposa, Maria Carvalho Mendes Villela e da empregada do casal, Francisca da Silva, em Brasília, estão dividindo a opinião de juristas. O caso, que sofreu diversas reviravoltas, ainda aguarda um desfecho e uma versão final, que pode ser definida até próxima semana.

Ao longo das investigações, três delegadas cuidaram do caso. Há três semanas foi Deborah Menezes que chegou a localizar e prender Leonardo Campos Alves, que confessou o crime, na cidade de Montalvânia (MG). A delegada, contudo, não era encarregada da investigação e agiu sem o conhecimento do Ministério Público. Quem estava a cargo formalmente de Mabel de Faria.

“A defesa vai se beneficiar disso. Fica evidente que a investigação foi errática, que ficou ao sabor do vento e não pode levar a um juízo seguro de condenação”, disse o advogado criminalista Alberto Zacharias Toron.

Apesar das idas e vindas, com direito à prisão de oito suspeitos que posteriormente foram liberados por falta de provas, e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Federal ter taxado de “gravíssimo” o desentendimento na polícia, o juiz federal aposentado e hoje advogado e professor da Universidade de Brasília, Pedro Paulo Castelo Branco, acredita que tudo pode ser resolvido no relatório final.

“Quando a Polícia apresentar o relatório será uma peça única, não haverá conflito entre as delegacias. É perfeitamente possível que uma delegada tenha um pedaço da investigação, e outra tenha um complemento”, disse.

O advogado ponderou, contudo, que as provas colhidas serão fundamentais para atestar uma eventual participação da filha do casal, Adriana, como mandante do crime. “Hoje o que há contra ela é um depoimento de quem confessou o crime. Os juízes precisam de mais do que isso, precisam, por exemplo, de depósitos bancários que provem que ela pagou pelo crime”, disse.

A guerra de versões sobre o caso pode ser esclarecida ainda nesta semana, caso a polícia promova a acareação entre os supostos envolvidos. Leonardo, que confessou o assassinato, teria dito que a filha do casal foi a mandante.

Seu depoimento sobre a execução, porém, conflita com a dos outros supostos participantes, que divergem sobre a dinâmica dos assassinatos. Há ainda divergências no que diz respeito às provas periciais encontradas no apartamento dos Villela, em área nobre de Brasília.

A delegada Martha Vargas, primeira a comandar o caso – e que utilizou os serviços de uma vidente para tentar elucidar o crime –disse que o apartamento teria sido limpo por profissionais. Peritos, contudo, disseram que não teriam sido observados sinais de limpeza na cena do crime.

O conflito entre as delegadas não pára por aí. Um informante teria dito à delegada Mabel de Faria, responsável pelo caso, que Deborah – a que efetuou a prisão de Leonardo – teria oferecido dinheiro para ele formalizasse a versão de como foi encontrado, supostamente através de informações vindas de um de seus filhos, preso em Brasília.

“Com todo o quadro, acredito que as provas ficam numa séria dúvida”, pontuou Toron.

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