Especialistas discutem vida cotidiana dos maias em colóquio em Paris

O conhecimento da cultura maia não resultou de uma grande descoberta, mas de um longo trabalho acumulado e salpicado de polêmicas - diz a antropóloga francesa Anne-Christine Taylor, ao explicar a importância da 13ª Conferência Maia Européia, que reúne especialistas do mundo todo, em Paris, até 6 de dezembro.

AFP |

A conferência, que nesta edição tem como tema "A vida cotidiana dos maias", é organizada pela Associação Européia de Estudos e conta com a colaboração de várias instituições universitárias e científicas francesas.

Trata-se de um colóquio multidisciplinar, que inclui diferentes campos das Ciências Humanas e Sociais, como Etnologia, Arqueologia, Etnolingüística e História, e permite fazer um balanço internacional do avanço no conhecimento da cultura maia.

O encontro se divide em duas partes. Os primeiros quatro dias (de 1 a 4 de dezembro) são dedicados a oficinas sobre a escritura maia e, nos dois últimos, acontece o colóquio internacional sobre a vida cotidiana dos maias, do qual participarão especialistas de Europa, Estados Unidos e América Latina.

Hoje, "trata-se de avaliar os avanços na decifração da escritura, o que é importante (...) é um longo trabalho acumulado", afirma essa especialista em culturas ameríndias e diretora do Departamento de Pesquisa e Ensino do Museu do Quai Branly, anfitrião do encontro.

"O que se decifrou primeiro foram as datas, o calendário e, depois, os nomes próprios, essencialmente de cidades e de reis. A grande questão, agora que podemos decifrar mais ou menos esses textos, é a interpretação", acrescenta ela.

"Não basta poder lê-los para compreender o que está escrito neles, porque esses textos em geral são muito enigmáticos e pedem interpretações rigorosas alimentadas tanto pela Arqueologia como pela Etno-História e até pela Etnografia Contemporânea", explica a pesquisadora.

Segundo Anne-Christine Taylor, nesse colóquio se discute "a vida cotidiana, ou seja, a dimensão da vida humana, que não são os rituais, as festas, as condições excepcionais, sobre as quais os especialistas normalmente se interessam".

Ela acrescenta que os avanços resultam de um "acúmulo de descobertas", porque "a cultura maia não é um campo de pesquisa que avança por meio de grandes descobertas que mudam tudo".

mc/hov/tt

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