anunciado ontem pelo Ministério da Saúde, foi comemorado por médicos e ONGs. Os especialistas, porém, ressaltam que para haver um aumento significativo no número de transplantes são necessárias medidas mais incisivas. ¿Menos de 10% das mortes encefálicas são identificadas no Brasil. Houve um grande avanço (com as mudanças anunciadas), mas o que vai mudar o tempo de espera nas filas é melhor oferta de órgãos¿, afirma Rafael Santos, presidente da ONG Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), no Rio de Janeiro." / anunciado ontem pelo Ministério da Saúde, foi comemorado por médicos e ONGs. Os especialistas, porém, ressaltam que para haver um aumento significativo no número de transplantes são necessárias medidas mais incisivas. ¿Menos de 10% das mortes encefálicas são identificadas no Brasil. Houve um grande avanço (com as mudanças anunciadas), mas o que vai mudar o tempo de espera nas filas é melhor oferta de órgãos¿, afirma Rafael Santos, presidente da ONG Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), no Rio de Janeiro." /

Especialistas comemoram investimentos em transplantes no País, mas apontam falhas

O investimento de R$ 24,1 milhões no Sistema de Transplantes do País, http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/10/21/ministerio+da+saude+anuncia+investimentos+e+mudancas+nas+regras+de+transplantes+no+pais++8903996.html target=_topanunciado ontem pelo Ministério da Saúde, foi comemorado por médicos e ONGs. Os especialistas, porém, ressaltam que para haver um aumento significativo no número de transplantes são necessárias medidas mais incisivas. ¿Menos de 10% das mortes encefálicas são identificadas no Brasil. Houve um grande avanço (com as mudanças anunciadas), mas o que vai mudar o tempo de espera nas filas é melhor oferta de órgãos¿, afirma Rafael Santos, presidente da ONG Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), no Rio de Janeiro.

Redação |

Santos cita como um dos pontos mais positivos do novo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que entra em vigor em 1º de novembro, a criação de organizações de procura de órgãos.

Com isso, considera que começa ser criada no País a cultura de busca ativa por órgãos, o que, consequentemente, deve refletir no aumento dos transplantes. Contudo, ressalta que as organizações de procura de órgãos não são as responsáveis por manter o paciente com diagnóstico de morte encefálica em condições de ser um possível doador. Por isso, é preciso investir também nos médicos que realizam este tipo de trabalho. Se o hospital privado conveniado der atenção ao doador vai cobrar do SUS (Sistema Único de Saúde) os procedimentos. No público, essa relação não existe. Os médicos ganham salário fixo, afirma.

Além disso, Santos explica que a falta de UTIs nos hospitais faz com que, muitas vezes, doadores sejam desligados dos aparelhos para dar lugar a pacientes vivos. A demanda é muito grande e você não pode negar vaga para quem ainda tem possibilidade de viver, afirma, sugerindo a criação de salas de manutenção para acompanhamento de pacientes com morte encefálica até que sejam retirados os órgãos.

Rafael Santos aprovou a possibilidade de que pessoas com doenças transmissíveis possam doar para outros que tenham o mesmo problema. Os transplantes são feitos por três motivos: salvar vidas, prolongar vidas e melhorar a qualidade de vidas. Se a pessoa vai continuar com a doença, mas aquele transplante dará uma sobrevida a ela, ótimo, afirma.

Verba

O presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Valder Duro Garcia, avaliou como significativo o investimento de R$ 24,1 milhões e afirmou que o aumento no preço pago pelos procedimentos relacionados à doação deve incentivar os profissionais a realizá-los.

De acordo com o Ministério da Saúde, o reajuste será de 40%. Assim, uma equipe que recebia R$ 585 pela retirada de um coração, por exemplo, passará a ganhar R$ 1.170. Alguns procedimentos estavam com valor muito defasado. Às vezes, para a retirada de um órgão, a equipe tem que se deslocar por 300, 400 km, ir de avião, e tem que ter um rendimento melhor por isso, diz.

Prioridade às crianças

Outro ponto bastante repercutido do novo Sistema de Transplantes e elogiado pelos três especialistas consultados pela reportagem do Último Segundo é a prioridade que será dada a pessoas com menos de 18 anos para receber órgãos de doadores da mesma faixa etária. Isso já acontece nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, mas, agora, espera-se que seja implantado em todo o País. É uma conquista, um sonho essa portaria, um pedido que fizemos há muito tempo, comemora Clotilde Garcia, coordenadora de transplantes renais pediátricos da Santa Casa de Porto Alegre.

De acordo com ela, a distribuição de órgãos sempre aconteceu de acordo com o tamanho da criança, só com o rim que funcionava um pouco diferente.  Às vezes, uma criança de 2 anos tinha a oferta de um rim de um paciente de 80 anos. Neste momento, ficou lógico que vale a mesma distribuição, diz.

Santos, da Adote, explica também que se duas pessoas de idades diferentes forem compatíveis com o mesmo rim, as crianças terão prioridade.

Os dois ressaltam também o fato de que, com a portaria, as crianças poderem entrar na fila de espera por um rim antes de começar a diálise, o que não era possível. Se ela estiver com uma função renal abaixo de 15%, prestes a entrar na diálise, já pode se inscrever, afirma Clotilde.

Todos entendemos que se para um adulto a diálise é penosa, para as crianças é muito mais, completa Santos. Para ele, para que o SNT seja eficaz não é preciso só de verba , mas de fiscalização, transparência e divulgação, para que a sociedade tenha meios de cobrar o que foi prometido.

Veja as mudanças que entram em vigor em novembro:

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