BAHIA - A análise preliminar do acidente com o Super King Air B-350, que deixou 14 mortos na sexta-feira à noite em Trancoso, no sul da Bahia, leva oficiais da Aeronáutica e especialistas em segurança de voo a apontar três hipóteses como as mais prováveis para explicar a queda do bimotor.

Nos próximos dias, peritos do 2º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa-2), no Recife, devem definir onde a caixa-preta do avião será degravada - caso esteja avariada, é provável que seja mandada para os Estados Unidos.

Local do acidente onde avião caiu na Bahia
Local do acidente onde avião caiu na Bahia (foto: Agência Estado)

Os motores da aeronave serão enviados para os laboratórios do Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Outra equipe vai se debruçar sobre a documentação do turboélice e dos pilotos, em busca de eventuais irregularidades ou pistas que ajudem a esclarecer o desastre. O avião havia decolado do Aeroporto de Congonhas e caiu quase três horas depois, às 21h31, a 197 metros da cabeceira da pista do Aeroporto Terravista.

A primeira hipótese levantada por militares é uma possível desorientação do piloto em relação à posição do aeroporto. Em Trancoso, pelas características do local da queda, podia-se dizer que o avião tinha mais força no plano vertical na hora do acidente. Isso indicaria que o piloto se preparava para tocar o solo, mesmo fora da posição.

Outra possibilidade é de falha mecânica, especialmente nos motores. Testemunhas relataram que o turboélice já parecia avariado, antes da queda e da explosão. A terceira hipótese é um disparo inadvertido do compensador, um dispositivo, usado no pouso, que diminui a sensação de pressão nos controles de direção da aeronave.

Nas investigações realizadas até o momento, a Aeronáutica descartou como determinantes para a queda do King Air tanto a chuva quanto a iluminação do aeroporto. Peritos e especialistas dizem que a leitura da caixa-preta deve ajudar a restringir o número de hipóteses. Lembram ainda que situações atípicas, como um mal súbito, desmaio ou mesmo um enfarte, não podem ser descartadas.

O acidente

A aeronave decolou em Congonhas (SP) às 18h30 e caiu por volta das 21h, ao tentar pousar na pista particular do hotel Terravista Club Med, que tem 1.500 metros e é dedicada exclusivamente ao atendimento de aeronaves executivas. Chovia forte na região no momento do acidente.

Testemunhas disseram que o avião, de prefixo PR-MOZ, voava baixo e teria explodido antes de se chocar contra uma árvore e cair nas proximidades da cabeceira da pista de pouso. A área é de mata fechada e difícil acesso.

Antes do pouso, a tripulação da aeronave fez contato com o Controle Aéreo de Porto Seguro e com a rádio do aeroporto, informando ter condições visuais para pousar no aeródromo. Segundo a assessoria do empreendimento, até a colisão, os controladores de voo do aeroporto não notaram qualquer problema enquanto monitoravam a aterrissagem.

(*Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

Assista ao vídeo sobre o acidente:

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