Especialistas alteram para risco de infecções com piercings

Especialistas alteram para risco de infecções com piercings Por Alexandre Gonçalves São Paulo, 02 (AE) - A psicóloga mineira Renata Schaefer Moura passou por oito cirurgias e perdeu quase dois meses de trabalho. A razão? Um piercing na orelha esquerda.

Agência Estado |

Renata teve uma pericondrite, forma muito agressiva de infecção da cartilagem. Pouca gente sabe, mas 15% dos jovens que utilizam o adereço procuram um serviço de saúde porque não agüentam a dor, o inchaço ou a febre. Um número equivalente relata complicações, mas não procura ajuda. Inflamação, sangramentos e infecção constituem os problemas mais comuns. Renata pertence ao porcentual dos que precisam ficar internados para tratamento: cerca de 1% dos usuários.

Os dados são de uma pesquisa publicada no British Medical Journal, onde foram entrevistados 1.049 ingleses que usam ou já usaram piercing. Não há levantamentos semelhantes no Brasil, mas a pediatra Geni Worcman Beznos, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, acredita que os dados no País são parecidos. Ela costuma perguntar aos adolescentes que entram no seu consultório: "Por que você usa esse piercing?" Quase sempre, eles desconhecem os riscos.

A região do corpo onde ocorre a maior parte das complicações é a língua. Segundo o estudo britânico, cerca de 50% das perfurações no local trazem algum inconveniente. Em 24% dos casos, o episódio termina em um consultório médico. "A língua é um local com muitos vasos sanguíneos", explica Geni. "Por isso, defende-se bem de infecções, apesar de inchar bastante." Mas, se uma colônia de bactérias vence a resistência do organismo e entra na corrente sanguínea, pode causar complicações sérias como a endocardite bacteriana, uma infecção do tecido cardíaco.

O risco motivou a criação, em São Paulo, da Lei Estadual nº 9.828, de 1997, que proíbe a colocação de piercings em menores, mesmo com a autorização dos pais. Mas é fácil encontrar lugares que realizam o procedimento em adolescentes.

SEQÜELAS
Cerca de 50% das mulheres britânicas de 16 a 24 anos utilizam piercing. Geni também acredita que é o grupo de maior incidência no Brasil. A advogada Milena Nunes Lemos de Melo tinha 19 anos quando colocou oito piercings em cada orelha. Meses depois, como precisava procurar estágio, resolveu tirá-los. Nos furos, brotaram os temidos quelóides - cicatrizes anômalas que não param de crescer.

Assustada, Milena procurou ajuda no Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. O médico Perboyre Lacerda Sampaio iniciou o tratamento que durou três meses e incluía infiltração de cortisona. "Foi um calvário", afirma Milena. Cinco anos depois, resta só um pequeno quelóide na orelha esquerda.

Mas Sampaio afirma que nos casos de infecção da cartilagem é mais difícil evitar as seqüelas. "O antibiótico não chega ao tecido com facilidade." Ele atende, todos os anos, cerca de 20 pessoas que precisam de ajuda para reconstruir a orelha ou o nariz por causa de problemas com piercing.

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