BRASÍLIA - O especialista em fonética forense Ricardo Molina declarou nesta quinta-feira, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas, da Câmara dos Deputados, que tem havido irregularidades nas gravações telefônicas em investigações feitas pela Polícia Federal (PF). O especialista afirmou que a transcrição de um diálogo deve ser escrito termo a termo, do começo ao fim, para evitar interpretações errôneas, mas que este procedimento não tem sido respeitado pela PF.

Especialista na identificação das vozes captadas por meio de escutas, Molina disse que freqüentemente encontra gravações interrompidas, palavras soltas e frases selecionadas nas transcrições das escutas. Ricardo Molina criticou também a falta de qualificação técnica das pessoas encarregadas de ouvir as gravações. Elas tem o espírito investigativo e não técnico. Fazem um trabalho de policia e não de perícia, disse.  

Ele sugere que a prática da escuta telefônica seja normatizada por lei que obrigue a polícia a transcrever integralmente tudo o que foi gravado inclusive citando problemas nas gravações. Não se pode pegar um diálogo de doze minutos e sintetizá-lo em duas ou três frases, declarou.  

Segundo o especialista, não há como garantir que as gravações feitas pelo sistema Guardião da PF são originais, uma vez que elas passam pelas operadoras e alertou que as ligações feitas por telefones Nextel podem ser facilmente editadas. Em 2007, o especialista disse à revista Veja ter indícios de que a PF pode ter fraudado, por edição, diálogo que serviu de prova contra juiz acusado de negociar sentenças judiciais.

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