MADRI (Reuters) - O governo espanhol vai introduzir 3 mil pulseiras incorporadas com GPS que serão colocadas em infratores para assegurar que cumpram as ordens de manter distância em casos de violência de gênero, informou nesta quarta-feira o Ministério da Igualdade em um comunicado. A medida entrará em vigor em todo o território a partir do dia 24 de julho, segundo a mídia, e em uma fase inicial os dispositivos cobrirão cerca de 10 por cento das ordens de distância.

Neste ano 10 de 26 mulheres que morreram por abuso no país tinham apresentado uma denúncia e nove contavam com medidas de proteção, segundo dados do Ministério de Igualdade de final de junho. Foram cinco mortes a menos que as registradas até o mesmo período de 2008.

Cada um dos 3 mil dispositivos contém três terminais, dois que levarão a pessoa que abusa e um à vítima, e com eles o Ministério da Igualdade, em colaboração com os Ministérios da Justiça e do Interior, querem melhorar a proteção e ter um controle maior sobre as medidas de distância.

O plano para distribuir 3 mil pulseiras coincide com a publicação de um relatório da Anistia Internacional, segundo o qual a Espanha deve garantir uma vida sem violência, não somente de gênero, para todas as mulheres e meninas.

"Nos últimos anos tem avançado bastante a luta contra uma determinada forma de violência, a que se produz em contexto de casal e de ex-casal", declarou Itziar Ruiz-Giménez, presidente da Anistia Internacional na Espanha, em comunicado.

"Contudo, é alarmante que não haja um plano para prevenir todas as formas de violência sexual, proteger todas as vítimas, com especial ênfase para meninas e as vítimas de tráfico, e processos aos responsáveis", acrescentou.

A Anistia destaca que o que a preocupa especialmente é a falta de dados confiáveis sobre a violência sexual e tráfico de pessoas, a inadequada legislação e planos para a correta atenção destas vítimas ou a ausência de mecanismos de prevenção.

(Reportagem de Emma Pinedo)

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