Escritório nega ligação de conselheiro do BNDES em fraudes

O Escritório de Advocacia Leite, Tosto e Barros, do advogado e integrante do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Tosto, afirmou nesta quinta-feira, em nota, que o advogado não teve participação nas concessões de créditos investigadas pela Polícia Federal (PF). As operações em que uma empresa e uma prefeitura teriam supostamente sido beneficiadas por empréstimos do BNDES aconteceram antes de o advogado Ricardo Tosto integrar o Conselho do banco, não tendo, nem remotamente, a sua participação, informa a nota.

Agência Estado |

Tosto foi preso nesta quinta pela PF na Operação Santa Teresa , que tem o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que, além de praticar crimes de tráfico local e internacional de mulheres e explorar atividade de prostituição, participava de fraudes na concessão de empréstimo junto ao BNDES.

Segundo o escritório, "não há o mais remoto fundamento nas imputações feitas" pela polícia. O escritório "repele vigorosamente a acusação produzida" contra Tosto, que considera "divulgada com espalhafato irresponsável pela Polícia Federal".

A nota do escritório afirma também que os conselheiros do BNDES não têm qualquer função executiva na instituição e sim consultiva, com o objetivo de debater a política institucional do banco. "Revela-se verdadeira ofensa a essa instituição, supor que qualquer colaborador, de seu corpo altamente técnico, participasse de qualquer negócio escuso."

De acordo com o escritório, Tosto não foi solicitado a prestar qualquer esclarecimento antes de ser preso. "A associação absurda com 'prostituição e tráfico internacional de mulheres' é uma aberração", informa o comunicado, referindo-se às outras acusações que estão sendo investigadas. "Nenhuma alegação justifica esse lamentável episódio. Os responsáveis por essa violência inadmissível responderão por seus atos."

A investigação

Segundo a PF, as investigações tiveram início em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre a prática dos crimes de tráfico interno e internacional de mulheres e de exploração de prostituição. Após investigações, foi constatada também a existência de um esquema de desvio de verbas de financiamentos do BNDES, conforme a PF. Uma quadrilha formada por empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos atua de forma a obter empréstimos do referido banco e a desviar parte dos valores em benefício próprio. A PF não soube informar qual a ligação entre as duas investigações.

Pelo menos dois financiamentos concedidos pelo BNDES neste ano, segundo a PF, são objeto de fraude. Um deles, de R$ 130 milhões, foi concedido a uma prefeitura do Estado de São Paulo e outro, de cerca de R$ 220 milhões, a uma grande empresa do ramo varejista. A quadrilha desviava 4% dos valores de cada financiamento. As investigações indicam também evidências de práticas de licitações fraudulentas em pelo menos duas prefeituras paulistas, versando sobre a distribuição de obras por estas municipalidades.,

Tosto

Tosto é um dos principais advogados do País, com atuação na área criminal, cível, trabalhista, tributário e eleitoral. Entre seus principais clientes estão o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e a empresa de propriedade da família do político, a Eucatex, atualmente em recuperação judicial. Também foram assessoradas por Tosto empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, Avon, Alcatel, BankBoston, Companhia Brasileira de Alumínio, Santher, Grupo Eucatex, Grupo Alusa, Grupo Schahin e Queiroz Galvão.

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