MONTEVIDÉU ¿ O escritor uruguaio Mario Benedetti celebrou seu aniversário de 88 anos ontem em sua casa, em Montevidéu, onde trabalha atualmente no texto de seu Biografía para encontrarme, após um ano marcado por complicações em sua saúde.

"Mario está bem, estável, mas não está em condições de sair por causa do frio, precisa se cuidar, tomar certas precauções", motivo pelo qual decidiu comemorar a data em casa, segundo informou Ariel Silva, seu secretário pessoal. Benedetti, que neste ano esteve hospitalizado em três ocasiões, recebeu os cumprimentos de amigos próximos, como o poeta argentino Juan Gelman e o intelectual uruguaio Eduardo Galeano.

Poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta, jornalista, Mario Orlando Hamlet Hardy Brenno ¿ como foi batizado por seus pais, Brenno e Matilde ¿ é referência nas letras uruguaias com uma obra de compromisso humano e social que o levou ao exílio durante a ditadura.

Nascido em 14 de setembro de 1920 em Paso de los Toros, Tacuarembó, Benedetti integra a chamada geração de 45, uma das mais criativas na literatura uruguaia e de grande influência na América Latina, com Juan Carlos Onetti, Angel Rama e Idea Vilariño entre seus expoentes.

"Benedetti é um testemunho incomparável da singularidade uruguaia, dizia o ensaísta Carlos Real de Azúa, e eu acho que é isso", afirmou a escritora Sylvia Lago, amiga do poeta. "Um homem com uma obra multifacetada, que cultivou todos os gêneros literários e que se manteve sempre em uma atitude ética e estética admirável".

Autor de mais de 80 livros de poemas, novelas, contos e ensaios, o escritor obteve vários reconhecimentos internacionais, entre os quais o prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana.

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