Escritor foi morto por dívida de R$ 130

Segundo a polícia, Wilson Bueno contratou assassino para desmanchar uma casa de madeira com cheque que, em seguida, foi sustado

AE |

A cobrança de uma dívida de R$ 130 foi o motivo da morte do escritor paranaense Wilson Bueno, de 61 anos, atingido por uma facada no pescoço, dentro do sobrado em que morava na Vila Tingui, em Curitiba, por volta das 21 horas do dia 30 de maio. O acusado Cleverson Petrecelli Schimitt, de 19 anos, foi preso na noite de quarta-feira e confessou a autoria do crime , o que repetiu hoje aos jornalistas, de forma bastante tranquila.

Por ter roubado dois celulares e uma máquina fotográfica, ele responderá por latrocínio.

De acordo com o delegado de Furtos e Roubos, Silvan Rodney Pereira, um canhoto de cheque pré-datado para o dia 31 de maio, em que estava escrito Cleverson, foi uma das pistas. Além disso, Pereira acentuou que, depois de ter cometido o crime, o rapaz foi de ônibus até o município de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, onde mora. Mas, por volta de 11 horas da noite, utilizou um dos celulares roubados para chamar um táxi, em uma empresa onde já tinha cadastro.

Ao ser preso em casa, ele a princípio negou a autoria, mas depois acabou confessando. Na residência do escritor, apontou a faca que tinha utilizado e que lavara, antes de guardar novamente na gaveta da cozinha. De acordo com a polícia, os dois tinham se conhecido na sexta-feira anterior e Bueno teria contratado o rapaz para desmanchar uma casa de madeira, dando-lhe o cheque. No entanto, por motivos desconhecidos, o escritor ligou domingo para Schimitt dizendo que mandara sustá-lo.

Como já tinha usado o cheque para comprar um botijão de gás, foi à casa de Bueno fazer a cobrança, quando houve um desentendimento. Segundo Schimitt, o escritor negou-se a restituir o valor. Eles teriam discutido e Schimitt foi à cozinha, onde pegou uma faca e escondeu na manga da camisa, segundo ele, "só para assustar". Quando retornou, o rapaz, que confessou ser usuário de droga, disse ter sentido cheiro de maconha e comentado: "Está nervosinho por causa da maconha". Bueno teria se alterado e tentado agredi-lo, quando Schimitt tirou a faca e perfurou-lhe o pescoço.

Depois, enquanto o escritor agonizava, fez uma busca na casa para tentar encontrar objetos de valor, levando os dois celulares e a máquina fotográfica, que disse ter vendido para "cobrir o cheque". "Estou arrependido do que fiz", afirmou Schimitt, que não tinha passagem pela polícia. "Eu não queria matar ele, queria só o meu dinheiro."

O irmão de criação de Bueno, João Santana, disse que Schimitt está usando o argumento da agressividade do escritor somente para tentar se justificar. "Não acredito que o Wilson tenha sido agressivo, ele não tinha esse perfil", afirmou. Segundo ele, seu irmão também não era usuário de droga e estava abstêmio de álcool.

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