Escolas particulares pressionam alunos a fazer o Enem

O descarte do uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos vestibulares da Fuvest, da Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) depois do adiamento da prova levou escolas particulares paulistas a adotar estratégias para convencer os alunos a participar. As instituições reconhecem que parte dos alunos está desmotivada e desistiu de fazer a prova, o que pode ter efeito negativo na nota geral dos colégios.

Agência Estado |

Desde 2006, o Ministério da Educação (MEC) passou a divulgar uma nota consolidada das escolas no Enem - antes disso, havia apenas o desempenho do aluno. A nota se tornou o único critério objetivo para avaliar instituições particulares de ensino e passou a ser referencial de qualidade para pais de alunos, norteando as escolhas das famílias para matricular seus filhos. O ranking também aumentou a cobrança interna por melhor desempenho no exame e acirrou a competição entre as escolas privadas.

A Fuvest, que seleciona para a Universidade de São Paulo (USP), além da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a PUC, que reúnem quase 200 mil candidatos, utilizavam há anos o Enem para compor a nota de seus vestibulares. O uso foi descartado após o exame ser remarcado para 5 e 6 de dezembro. O adiamento ocorreu depois que o vazamento do Enem foi revelado ao MEC na semana passada.

"Há um nítido desânimo em prestar o Enem e, se poucos alunos prestarem, isso nos preocupa. A representatividade do Bandeirantes e das principais escolas será mais atingida", diz Mauro de Salles Aguiar, diretor-presidente do Colégio Bandeirantes, que ficou na terceira colocação no Estado de São Paulo no último ranking do Enem. Aguiar conta que pediu a todos os professores que passem a estimular seus alunos a fazer o exame. "Toda escola boa quer estar adequadamente representada. Daqui a um ano, quando soltarem o ranking, todos vão esquecer dos problemas que houve no Enem."
Há todo tipo de estratégia para convencer os alunos. "Falamos para o professor alimentar o assunto pausadamente, com intervalos. Uma hora é um professor que fala (que é importante fazer o Enem) e, depois, é outro", diz Silvio Barini, diretor do Colégio São Domingos. Ele conta que a escola fez um trabalho neste ano para tentar melhorar o desempenho no exame e agora lamenta que os estudantes não participem. "Há um desencanto que vamos tentar tratar. Isso preocupa pela imagem do colégio e pelo descrédito com relação ao exame." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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