Escolas do semiárido enfrentam maiores dificuldades para formar crianças e jovens

BRASÍLIA - Os maiores desafios na redução das desigualdades e melhoria dos indicadores sociais do País ainda estão no semiárido, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relatório Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 ¿ O Direito de Aprender, divulgado nesta terça-feira, aponta a região ¿ que engloba os nove estados do Nordeste mais partes de Minas Gerais e Espírito Santo ¿ como a que mais enfrenta dificuldades na formação educacional de crianças e jovens.

Agência Brasil |

O relatório mostra que uma criança no Semiárido leva, em média, 11 anos para concluir o ensino fundamental de oito anos. Parte da dificuldade está inclusive na estrutura física das escolas, que muitas vezes não têm condições mínimas de atendimento e funcionam sem energia elétrica e água potável. Das 37,6 mil escolas na zona rural da região, 28,3 mil não são abastecidas pela rede pública [de abastecimento de água]. Dessas, 387 não têm nenhum tipo de abastecimento, cita o documento.

Além da infraestrutura, a educação no Semiárido ainda enfrenta outros gargalos, como a falta de formação de professores e o grande número de turmas multisseriadas, com alunos de diferentes idades e em diferentes etapas de aprendizagem no mesmo grupo.

De acordo com o levantamento, o Semiárido concentra mais da metade da população de analfabetos acima de 15 anos, registra índices de escolarização e frequência muito menores que a média nacional e ainda apresenta altos percentuais de evasão escolar.

O Unicef credita a falta de oportunidade que afeta os cerca de 13 milhões de brasileiros que vivem na região a fatores históricos e ao modelo de ocupação da área. A região sempre foi vista como um pedaço pobre do país e não recebeu investimentos concretos num projeto de desenvolvimento que garantisse sua inclusão ao plano de desenvolvimento nacional.

Apesar dos indicadores negativos, algumas mudanças começam a sinalizar uma possível transformação na região. O índice universalização do Ensino Fundamental no Semiárido está bem próximo da média nacional e a entrada na Educação Básica também tem tido resultados positivos. A média de atendimento de crianças de 4 e 5 anos nos municípios da região é de 47,3%, ante 42,8% na média nacional, destaca o Unicef.

Integração

A organização defende a integração entre educação e realidade social como uma das estratégias para mudar o quadro de desigualdades da região. O caminho para o que o Unicef chama de educação contextualizada passa pelo livro didático, que deve ser adaptado à necessidade de materiais que valorizem e reflitam a realidade dos alunos, nos quais eles se reconheçam.

De acordo com o relatório, atualmente o currículo escolar reproduz um discurso e uma prática que apresentam o semiárido como inviável, um lugar pobre, miserável e ruim de viver. No documento, o Unicef cita a iniciativa da Resab, que em 2005 desenvolveu um material específico para o Semiárido e que obteve resultados positivos com estudantes de 17 municípios em nove estados.

A organização também cita o Pacto Um Mundo para a Criança e o Adolescente do semiárido, assinado por 11 ministérios e mais 30 organizações não governamentais como uma estratégia para reverter as desigualdades e que já tem apresentado resultados positivos na área educacional. Segundo o Unicef, entre 2004 e 2007 a distorção idade-série caiu de 41,7% para 17,4% nos municípios do Semiárido que aderiram ao pacto.

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