Escolas de Medicina exigem pouco e falta infraestrutura, diz pesquisa

Os alunos com melhor desempenho das principais faculdades de Medicina do Estado de São Paulo afirmam que suas escolas exigem pouco e reclamam de infraestrutura inadequada e da indisponibilidade dos professores para supervisão dos estudos. Os resultados são de uma pesquisa inédita apresentada ontem pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e realizada com 250 egressos de cursos que, em 2008, passaram para a segunda fase de exame voluntário do órgão para testar conhecimentos adquiridos na graduação.

Agência Estado |

Além de expressar uma visão de parte dos formandos, os resultados são, para o conselho, mais uma prova de que há deficiências na formação e de que é preciso criar um exame nacional obrigatório para recém-formados de Medicina, que possa barrar os que não aprendem. O órgão de classe lançou na sexta-feira campanha para a aprovação de projeto no Congresso Nacional para a implantação da nova prova. “No mundo todo as pessoas têm de provar, após a faculdade, que são bons médicos. Aqui as pessoas terminam o curso e já podem abrir a sua cabeça”, afirmou Bráulio Luna Filho, coordenador de exames do Cremesp.

No total, a prova de 2008 reprovou um porcentual de 61% dos participantes, o dobro do ano anterior, conforme o que já foi divulgado no ano passado. Mas a nova pesquisa traz as impressões dos alunos que quiseram ser avaliados e que passaram para a segunda fase - e que teriam uma maior preocupação com a própria formação. Tiveram participação representativa na prova estudantes das três principais faculdades de Medicina do Estado, USP, Santa Casa e Unifesp, entre outras. O resultado do levantamento, no entanto, não foi divulgado por instituição.

Segundo o novo estudo, 76% disseram que os cursos poderiam ser “um pouco ou muito mais exigentes”. Cerca de 40% classificaram as instalações como não adequadas ou não suficientes e um terço avaliou a supervisão dos professores como insuficiente ou inadequada, tanto nas áreas clínicas como de laboratório. Além disso, os alunos relataram aulas com grande números de estudantes nas salas e cerca de um terço apontou materiais desatualizados nos laboratórios. Por fim, 66% disseram estudar em escolas com bibliotecas que não tinham acervo adequadamente atualizado. Outro problema que se destacou, pelo relato dos estudantes, foi a falta de integração entre as disciplinas.

Exame

Durante entrevista coletiva na manhã de ontem, Luna Filho destacou que a entidade de São Paulo fará pressão pela criação do exame, apesar de o órgão nacional, o Conselho Federal de Medicina, e outras entidades médicas serem contra a prova e preferirem investimentos em avaliações ao longo do curso. Também as entidades estudantis são contrárias à prova.

A secretária de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Maria Paula Bucci, afirmou que a proposta do conselho é complementar ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela qualidade dos cursos. “Poderemos colaborar e interagir com o conselho.” O ex-ministro da Saúde e Coordenador da Comissão Especial do MEC, Adib Jatene, disse que a realização do exame vai valorizar a profissão. “Não é só o diploma que tem de autorizar o exercício da profissão. É razoável uma avaliação”.

AE

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG