Equipamento de varredura não faz grampo, diz técnico da Abin

BRASÍLIA - O técnico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Otávio Carlos Cunha da Silva, disse que o equipamento comprado pela Agência em conjunto com o Exército brasileiro só pode ser usado para fazer a varredura de grampos, e não grampear telefones. Ele alegou que o material em questão é o Omni-Spectral Correlator 5000, que pode ser comprado até mesmo pela internet por cerca de US$ 20 mil.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

O equipamento é capaz de identificar escutas ambientais e localizar celulares num raio de até 100 metros. Ele pode até mesmo captar comunicação entre telefones móveis mas, devido à comunicação destes aparelhos ser criptografada, ele não reproduziria a conversa, mas uma espécie de ruído.

Pouco antes do técnico da Abin dar as explicações, o diretor-adjunto afastado da Agência, Milton Campana, disse que seria possível "haver reversão" num campo de 100 metros. Ou seja, ao invés de só identificar o grampo, grampear. Silva, por sua vez, voltou à explicação da comunicação criptografada, dizendo que, mesmo se a tentativa fosse de ouvir a conversa, a criptografia impediria.

Essa, ainda de acordo com Silva, seria uma das principais diferenças entre o aparelho e as chamadas maletas de grampo que, além de falsear o sinal emitido do celular para a torre de rádio mais próxima, consegue, através de um software, decodificar as conversas, ou seja, quebrar a criptografia e ouvir, ao invés de ruídos, os diálogos.

De acordo com Silva, não é possível instalar tal software no Omni-Spectral Correlator 5000. Campana, por sua vez, disse que, caso a Abin desejasse adquirir equipamentos para grampear telefones, esse não seria o escolhido.

Informações sobre o Omni-Spectral Correlator 5000 podem ser obtidas na internet, na página http://tscm.com/reioscor.html (em inglês).

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