Épico gaúcho encerra terceiro dia do Festival de Cinema de Gramado

GRAMADO - Segundo longa-metragem de ficção de Tabajara Ruas, ¿Netto e o Domador de Cavalos¿ é o reencontro do cineasta e escritor com o personagem histórico General Netto, que já havia aparecido em ¿Netto Perde sua Alma (2001, co-dirigido por Beto Souza). Também interpretado por Werner Schünemann, o novo Netto fechou, nesta terça-feira (12/08), no Palácio dos Festivais, a terceira noite da mostra competitiva do 36o. Festival de Cinema de Gramado.

Fabio Prikladnicki |

Em tom grandiloqüente típico das narrativas épicas, o filme mistura fatos históricos com (muita) ficção: é a Guerra dos Farrapos encontrando a lenda do Negrinho do Pastoreio. Na trama, ambientada em 1835, o General Netto convoca uma trupe de ex-escravos para ajudá-lo a resgatar Índio Torres (Tarcísio Filho), um exímio domador de cavalos.

Como pontapé inicial da revolução, eles tentam libertar o Negrinho (Evandro Elias) e vingá-lo em nome da criação de uma república no pampa e pelo fim da escravidão. Mesmo caindo em clichês quase incontornáveis em se tratando de um épico gaudério, o filme tem o mérito de colocar em pauta a história - nem sempre lembrada - dos negros na formação do Rio Grande do Sul.

Outra história não muito conhecida havia aparecido, na forma de documentário, no primeiro longa da noite, Mindelo - Atrás de Horizonte, do diretor grego Alexis Tsafas, que mora em Cabo Verde desde 2002. Dispensando recursos tradicionais dos documentários, como narração e entrevista, o filme mostra faces da vida, da cultura e dos costumes de uma pequena cidade na ilha cabo-verdiana de São Vicente. Da pesca às festas populares e da música ao turismo, são revelados aspectos da realidade de um pais que ainda acerta contas com o passado colonial português.

O público que compareceu à terceira noite no Palácio dos Festivais assistiu, também, à entrega do Troféu Oscarito ao ator Walmor Chagas. Considerada a premiação mais prestigiada entre as concedidas durante o evento, o troféu foi um reconhecimento pelo conjunto da obra do artista, que estreou em película apenas aos 34 anos, mas como protagonista de um clássico: São Paulo S/A (1965), de Luís Sérgio Person. Seu mais recente trabalho nas telas foi no ano passado, em Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento.

Em seu discurso de agradecimento, Walmor lembrou que atuar no cinema era seu sonho de juventude e lamentou que os atores brasileiros tenham dificuldade em estudar a técnica cinematográáfica devido à falta de uma produção sistemática de filmes no país.

Se a noite foi de homenagem e de longas-metragens, a tarde havia sido dos curtas. Foram exibidos quatro dos 12 títulos que concorrem na mostra competitiva da categoria. Os demais serão apresentados nas próximas duas tardes. Entre os destaques do dia estiveram Hiato, de Vladimir Seixas, documentário sobre o passeio que manifestantes sem-teto fizeram em um shopping, em 2000, e Blackout, ficção de Daniel Rezende que trata, de forma inteligente e bem-humorada, de um tema surpreendentemente ainda pouco explorado no cinema brasileiro: política e corrupção.

Nesta quarta-feira, a noite da mostra competitiva de longas será do colombiano Perro Come Perro, de Carlos Moreno, e do documentário Pachamama, de Eryk Rocha, produção nacional.

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