Enviada da ONU discute violência e visita favela no Rio

O grande número de mortos em alegados confrontos com policiais no Rio foi tema, hoje, da conversa da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navanethem Pillay, com governador Sérgio Cabral Filho. Pouco depois do encontro, em visita à Unidade de Policiamento Pacificadora (UPP) no Morro Dona Marta, ela comentou as 10.

Agência Estado |

216 mortes registradas como "autos de resistência" no Estado em 11 anos e nove meses:

"Levantei minhas preocupações com o governo sobre estas estatísticas. Acredito que sejam 50 mil assassinatos em todo o País, e isso é inaceitável. Algumas organizações em Salvador me disseram que isto é um genocídio de negros. Isto é um assunto que me preocupa muito e por isso conversei com a polícia."

Navanethem ressalvou que estava formando suas "primeiras impressões", mas disse que ficou "satisfeita" com a conversa que teve com Cabral: "Ele foi categórico ao afirmar que não vai tolerar a impunidade nos crimes cometidos por agentes do Estado e que está preocupado em pagar salários mais altos para a polícia." A PM do Rio tem um dos mais baixos salários do País (cerca de R$ 900 o inicial).

Durante a visita ao morro, Navanethem ouviu reclamações de moradores, como a de que as contas de luz estão caras, e conheceu projetos sociais desenvolvidos pela PM (escolas de caratê e de música). Para ela, a polícia realizou ali "grandes avanços". O Rio tem mais de mil favelas, e o Dona Marta é uma das quatro que receberam UPPs. "Meu escritório observa todas as favelas e estamos cientes dos níveis de violência", disse ela, ao justificar a escolha.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, acompanhou a visita. "Não escondemos a difícil questão que é enfrentar o narcotráfico. Temos um problema complexo, diferente de qualquer outro lugar, mas não vamos ficar sem atuar. O governador foi muito incisivo (na conversa) e tenho certeza de que a representante entendeu."

Ela teria encontros com representantes da Justiça e de ONGs antes de seguir para Brasília. Em carta, ONGs sustentam que a escolha do Rio como sede das Olimpíadas "traz grande preocupação": "As incursões da polícia nas comunidades empobrecidas e os casos emblemáticos de extermínio são o resultado de uma política de segurança pública baseada na lógica da criminalização da pobreza e do confronto permanente."

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