Livro reúne trabalhos de 20 pesquisadores da longevidade e mostra exemplos de inserção do idoso na comunidade

Com o envelhecimento acelerado da população, a sociedade brasileira está diante de um grande desafio. Ela precisa se preparar para manter o idoso ativo e produtivo , caso contrário o risco de doenças psicológicas e cognitivas irá aumentar.

Hoje, o país tem cerca de 20 milhões de idosos e pelo menos 15% são portadores de depressão. Em 40 anos, o percentual de idosos deve dobrar, passando de 6,67% para pouco mais de 13% da população total do país.

O crescimento da depressão pode acompanhar ou até superar este ritmo. A doença avança conforme a pessoa se torna inativa e isso favorece outras doenças cognitivas, como o Mal de Alzheimer.

Por outro lado, se a sociedade passasse a oferecer mais atividades aos idosos, o risco de desenvolver doenças cognitivas e as chances de postergar o avanço delas seriam bem menores. É justamente isso que a pesquisadora Margareth Brandini Park pretende com seu livro “Educação e Velhice”, da Editora Setembro.

A pedagoga, ligada ao Centro Memória Unicamp (CMU), reuniu para a obra trabalhos de 20 pesquisadores sobre longevidade, em parceria com o sociólogo Luís Antônio Groppo. Os textos relatam experiências bem-sucedidas com a terceira idade, todas ligadas a ambientes de educação.

“São propostas de intergeracionalidade, nas quais aproximamos idosos de jovens. A energia de crianças e adolescentes mexe com o idoso, e a experiência do idoso acalma e desperta interesse em jovens”, resume a pesquisadora.

Ela cita o exemplo de uma escola municipal de Jarinú, no interior de São Paulo. “Idosos foram convidados para contar suas memórias aos alunos e isso os ajudou a reconstruir um retrato do passado da cidade”, conta a pedagoga. Os idosos contavam como era a escola, o ambiente e as brincadeiras antigas, entre outras coisas. Outro grupo de idosos fez uma atividade semelhante. “Eles ajudaram a identificar um acervo fotográfico antigo da cidade”, afirma.

As duas atividades são consideradas exercícios para a memória, indicados e bastante utilizados no combate de níveis leves e moderados de demência. Como o iG mostrou, durante o lançamento do “Manual Memória, Arte e Sucata” , participar de atividades sociais traz benefícios ao idoso com Mal de Alzheimer. E se essa ocupação remeter às suas memórias, melhor ainda.

Jornais comunitários

Outra maneira de melhorar a autoestima na terceira idade é com os jornais comunitários, mostra a pesquisadora no capítulo 7 do livro. O idoso aparece como uma espécie de “guardião da memória” do bairro, ao apresentar suas recordações em jornais comunitários.

Em outro caso, a pesquisadora mostra o trabalho feito por um grupo de idosos, adeptos ao batuque de umbigada. Essa dança de origem africana, que também utiliza instrumentos de percussão, passou a ser ensinada a jovens interessados em música.

“São todos exemplos positivos, que podem ser aproveitados em outros trabalhos de inserção do idoso na sociedade”, afirma a pedagoga.

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