ENTREVISTA-Stone fala de filme sobre George W. Bush

Por Jill Serjeant LOS ANGELES (Reuters) - O diretor Oliver Stone nunca evitou controvérsias nos 30 anos desde que começou a fazer cinema, tratando de questões como a Guerra do Vietnã, em Platoon e a violência na sociedade, em Assassinos por Natureza.

Reuters |

O tema mais recente do diretor três vezes premiado com o Oscar é o presidente americano George W. Bush. Seu filme "W." estréia nos EUA na sexta-feira, menos de três semanas antes de os americanos irem às urnas para eleger seu próximo presidente, em 4 de novembro.

Oliver Stone, 62 anos, falou à Reuters sobre o que o levou a fazer "W." e lançar o filme neste momento.

P: Por que é importante lançar "W." tão perto da eleição presidencial americana de 2008, quando o presidente George W. Bush não é candidato à reeleição?

R: Tratamos do fenômeno Bush, e, não importa quem vença a eleição, seu impacto estará sob a sombra dessa presença imensa que existiu por oito anos e que mudou o mundo. Acho que muitas pessoas devem assistir ao filme porque, antes da eleição, faz bem refletir sobre quem elegeram nos últimos oito anos e sobre onde estamos neste momento, como país.

P: Qual é o legado mais preocupante da administração Bush?

R: Esse homem nos deixou o legado de três guerras: a guerra no Iraque, a guerra no Afeganistão e a guerra ao terror, além da política do ataque preventivo. São coisas muito perigosas em termos de política externa.

Internamente, ele assumiu para o Executivo privilégios que nunca antes foram reivindicados com tanto extremismo e por um período tão longo. Ele infringiu leis e deixou de implementar leis com as quais discordava.

P: Por que você não fez esse filme quatro anos atrás, quando o presidente Bush era candidato à reeleição?

R: Não tínhamos as informações. O período 2000-2003 da presidência Bush foi uma obra-prima orwelliana na qual todos os documentos foram mantidos em sigilo e qualquer pessoa do círculo interno do poder que falasse com a imprensa era demitida. Esse sujeito foi infalível durante três anos. Foi apenas em 2004-2005 que as informações começaram a vir à tona. Onde estaríamos sem os jornalistas investigativos?

P: Qual foi, em sua opinião, a força motriz da vida de Bush?

R: Bush cresceu com a maldição de ser o filho primogênito e a ovelha negra da família. Ele precisava provar que era mais forte (que seu pai). Para ele, então, conquistar um segundo mandato foi crucial, e, sobretudo, era crucial terminar o trabalho iniciado no Iraque. Acho que Bush personaliza uma série muito complexa de situações mundiais e as converte em questões de seu próprio ego, que descrevo como um ego de caubói ou John Wayne.

P: O que as pessoas vão achar surpreendente neste filme?

R: Ele foi feito com o coração. Acho que é um filme compassivo, e isso pode surpreender o público.

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