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ENTREVISTA-Silos cheios limitam recebimento de grãos da Comigo

Por Roberto Samora RIO VERDE, Goiás (Reuters) - Mesmo tendo ampliado a capacidade de armazenagem para a temporada 2009/10, a maior cooperativa de agricultores do Centro-Oeste do Brasil, a Comigo, pode ser obrigada a deixar de receber os grãos que inicialmente tinha previsto, por falta de silos.

Reuters |

Isso ocorreria se a segunda safra de milho da região sudoeste de Goiás se confirmar grande e se o governo não remover 180 mil toneladas do cereal já vendido à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), grãos que ocupam um espaço precioso dos armazéns da cooperativa, afirmou o presidente da Comigo, Antônio Chavaglia, em entrevista à Reuters.

O problema iminente ilustra bem uma situação de estoques elevados de milho, não apenas em Goiás, mas em outras partes do país, em meio a cotações inferiores aos preços mínimos estabelecidos pelo governo, o que limita o interesse de venda. Mostra também como o país ainda sofre com um déficit de armazenagem.

"Vamos deixar de receber 2 milhões de sacas (120 mil toneladas)... O milho safrinha vai ter produção grande e não tem onde pôr. Se o governo não remover esse produto daqui, vai ser um caos", declarou o presidente da Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), antes de evento para produtores na quinta-feira à noite promovido pelo Rally da Safra, do qual a Reuters participou.

Chavaglia sugeriu até que o governo faça um leilão de prêmio de escoamento para incentivar o transporte do milho já vendido à Conab.

O quadro se agrava considerando que a safra de soja, com boa parte já colhida, foi antecipada este ano em cerca de 20 dias, segundo o dirigente.

A previsão inicial da Comigo, fundada em 1975, era receber pouco mais de 1 milhão de toneladas de soja em 2009/10 (contra 990 mil toneladas em 08/09), mas esse número está ameaçado pela lotação dos armazéns com milho.

Com uma ampliação na capacidade dos silos de 120 mil toneladas para 09/10, a Comigo ficou com espaço suficiente para armazenar 900 mil toneladas. Mas, devido ao aperto, a cooperativa prevê aumentar novamente a armazenagem, em 120 mil toneladas, para a safra 10/11, disse o presidente, que está à frente da empresa dos produtores desde 1986, sendo sempre reeleito.

A Comigo, com faturamento de 1,3 bilhão de reais em 2009, conta com duas esmagadoras de soja, que somadas podem processar 3,5 mil toneladas ao dia. Aproximadamente 20 por cento da produção de farelo de soja da Comigo, com 4.650 cooperados em 12 municípios, é exportada, e o restante da produção é consumido em Goiás e em outros Estados.

QUEDA NO PREÇO

Com uma redução de cerca de 30 por cento no preço da soja, na comparação com o ano passado, a Comigo avalia que a sua receita pode cair aproximadamente 25 por cento em 2010, para pouco menos de 1 bilhão de reais.

"O problema do Brasil é a questão do frete, não tem cabimento pagar 128 reais (por tonelada para o transporte de Goiás até os portos), quando no ano passado era 100 reais," disse ele, comentando um importante custo que pressiona o preço pago ao produtor.

A queda no preço e o aumento de custos com frete ocorrem em meio a uma grande colheita de soja no país, cuja área plantada cresceu quase 1,5 milhão de hectares, para 23,2 milhões de hectares, e a produção está estimada para aumentar quase 10 milhões de toneladas, para 66,7 milhões.

Na região sudoeste de Goiás, não foi diferente, com a oleaginosa ganhando áreas de milho primeira safra.

Rio Verde, o maior produtor de soja goiano, plantou 340 mil hectares de soja. E se as lavouras não prometem, segundo produtores, recordes de produtividades como nos anos anteriores, não devem render menos que 3.000 kg por hectare, contra mais de 3.300 kg na região na temporada passada, previu Chavaglia.

A produtividade não atingiu todo o potencial porque as plantas da região e em algumas partes do sudeste de Mato Grosso sofreram com muitos dias nublados no período de enchimento de grãos, além de temperaturas elevadas, o que antecipou o florescimento e encurtou o ciclo da cultura, segundo produtores, que sofreram também com chuvas na colheita.

A grande safra, entretanto, requer ações governamentais para apoiar a comercialização de áreas produtoras distantes dos portos, disse o presidente da Comigo, defendendo que o governo deveria manter os leilões de prêmio para ajudar na exportação, especialmente de milho, cujo frete hoje custa cerca de metade do que vale o produto na região.

"O certo para o produtor era não plantar a safrinha. Mas vai convencer o produtor disso. Se ele fosse mais organizado, diminuiria o plantio em pelo menos 70 por cento."

Rio Verde, ao contrário, aumentou em 10 por cento a área do milho safrinha, em relação ao ano passado, para 70 mil hectares, segundo informação do sindicato rural do município, e quase tudo já foi plantado.

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