ENTREVISTA-Novo presidente do PT prevê reforma do Estado

Por Natuza Nery e Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - Um eventual governo da ministra Dilma Rousseff manteria os fundamentos macroeconômicos alcançados pela administração atual, mas é necessário avançar no aprimoramento do Estado brasileiro, disse à Reuters o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra.

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Na sua avaliação, o objetivo do partido é desenhar o "terceiro mandato do projeto petista" avançando na reforma do Estado que, segundo o dirigente, "ficou aquém do desejado" no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Política monetária, na verdade, não tem muito para onde correr", afirmou Dutra nesta terça. "A tarefa é convencer o conjunto da sociedade... de que é necessário a modernização para tornar o Estado mais eficiente."

Ele defendeu quatro reformas: administrativa; trabalhista, sindical e previdenciária. "Para que o Estado seja eficiente, nem máximo nem mínimo."

As três primeiras reformas passaram intocadas nos sete anos de governo Lula. A última foi aprovada no início do primeiro mandato, mas considerada insuficiente para reverter a escalada do déficit no sistema.

No mundo financeiro, Dilma repetiria a dose de seu chefe em, pelo menos, dois pilares: regime de câmbio flutuante e o de metas de inflação. Ela teria espaço para "flexibilizar mais" o superávit primário e, até mesmo, ser mais agressiva na política de redução dos juros, mas "isso dependerá das condições objetivas da economia", sustenta Dutra, eleito no mês passado para comandar o PT e que deve assumir o posto em fevereiro.

É exatamente o sentido da continuidade que será vendido na campanha governista do ano que vem. A razão não pode ser outra: a um ano do fim de seu segundo mandato, Lula exibe aprovação acima de 80 por cento.

Essa popularidade, no entanto, ainda não foi capaz de consolidar a ministra no patamar dos dois dígitos nas intenções de voto, fundamental à sua competitividade em 2010.

"Dilma está muito longe do teto dela. Essa é uma diferença entre ela e o José Serra (governador de São pelo PSDB e virtual adversário da ministra)", garante.

Em sondagem do Ibope divulgada na véspera, ela aparece com 17 por cento, enquanto Serra domina a liderança com 38 por cento.

"A maioria das pessoas ainda não sabe que ela é candidata do PT e do Lula."

A chefe da Casa Civil será aclamada como nome do partido a disputar as eleições no Congresso Nacional do PT em fevereiro, mas só será definitivamente oficializada candidata na convenção do partido em junho.

Dizendo-se ciente que ela não é "carismática" como Lula e que ainda lhe falta "traquejo de candidata" para enfrentar a campanha, Dutra sentencia: "Dilma não é um Lula de saias, mas o projeto é de continuidade."

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