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ENTREVISTA-CPI quer colocar Petrobras no córner , diz Gabrielli

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A intenção da CPI é colocar a Petrobras no córner, e a comissão pode atrapalhar a aprovação do marco regulatório do setor petrolífero pelo Senado e adiar novos leilões de áreas petrolíferas, incluindo do pré-sal, afirmou à Reuters o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.

Reuters |

"Quem está fazendo isso está com outros interesses, que não são os interesses de melhorar a gestão da companhia, o objetivo é bater na companhia", criticou Gabrielli, que já teve sua rotina totalmente alterada e prevê muito mais turbulências pela frente.

A partir de terça-feira, quando a CPI será finalmente instalada, Gabrielli se prepara para ficar mais em Brasília do que o habitual e reduzir o foco no trabalho.

"Além dessa lojinha vou ter que tomar conta da lojona, que é a CPI", brincou.

A própria Petrobras também terá seu trabalho alterado, porque terá que ser mobilizada para responder possíveis acusações que surgirão no decorrer das investigações.

Sem nenhum fato concreto até o momento, a CPI da Petrobras, idealizada pela oposição ao governo no Congresso, deve cair em uma generalização, segundo Gabrielli. Para ele, a investigação pode se tornar uma grande dor de cabeça e afetar a imagem da companhia dentro e fora do país.

Perguntado se está tranquilo em relação aos vários temas que poderão vir à tona durante o processo de investigação, o executivo recorreu novamente ao boxe para explicar as consequências.

"Estamos tranquilos se definirem os temas, porque os temas serão investigados, mas ataques generalizados sobre tudo é como na luta de boxe: bater no fígado não dá nocaute, mas derruba o adversário", analisou.

"Você vai criar uma batalha política onde mais do que os fatos valem as versões, e nesse momento você entrar numa discussão sobre marco regulatório pode virar uma discussão se a Petrobras vai ter vantagem, não vai ter vantagem", completou.

Ele afirmou que a intenção dos opositores ao governo será colocar a Petrobras como uma empresa incompetente, mal gerida, "uma caixa preta, o que não corresponde à realidade".

Gabrielli lembrou que a empresa é fiscalizada por vários órgãos --TCU, CGU, CVM, ANTT, Ibama, analistas, jornalistas-- além de fazer parte do índice de sustentabilidade Dow Jones, no qual ela é benchmark de transparência.

"Somos a empresa que serve para medir as outras todas nesse quesito",informou.

Ele destacou também que os mais de 5 mil projetos em andamento no momento, dos quais 500 ao custo de mais de 25 milhões de dólares, passam por várias fases até serem aprovados, e que a estrutura da companhia é submetida à lei Ousbourne Osley, pela qual as informações passam por uma avaliação piramidal, ou seja, são respaldadas por vários níveis até chegar na presidência.

"Internamente nossos processos decisórios são muito complexos, passam por várias portões", ressaltou.

A preocupação de Gabrielli é de que a reputação da empresa seja afetada, já que nem todos os atores que acompanham as notícias que serão veiculadas conhecem bem a companhia.

Esse conhecimento da Petrobras por parte do mercado, segundo Gabrielli, é o motivo das ações da companhia ainda não terem sido afetadas desde que a oposição conseguiu abrir a CPI há duas semanas.

Analistas ouvidos pela Reuters disseram que a ação não deverá ser afetada, a não ser que denúncias graves sejam comprovadas.

Gabrielli vê chances que até mesmo a votação do marco regulatório ficar para o próximo ano.

"É possível que o marco não seja votado esse ano por causa da CPI também...abre-se uma batalha política com a CPI", avaliou, referindo-se ao novo marco regulatório do petróleo previsto para chegar ao Congresso em junho.

Ele destacou no entanto que a falta de um novo marco não altera os planos da estatal de investir 174,4 bilhões de dólares até 2009, "só contamos com os blocos que temos no plano de negócios", informou.

(Edição de Eduardo Simões)

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