ENTREVISTA-Azeredo diz ser contra Venezuela no Mercosul

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - Dúvidas sobre o compromisso da Venezuela com a democracia e a opção do país pela economia de mercado podem dificultar sua entrada no Mercosul, disse na quinta-feira o novo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

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A Venezuela aguarda há quase quatro anos a sua adesão ao Mercosul --formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Os Congressos de Brasil e Paraguai têm adiado a votação necessária para aceitar o país no bloco.

"Eu pessoalmente sou contrário", disse Azeredo à Reuters, um dia depois de ser eleito para a presidência da comissão.

Embora Brasil e Paraguai tenham governos com relações amistosas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, líderes da oposição em ambos os países dizem que o país caribenho não cumpre os princípios democráticos do bloco comercial.

"A Venezuela caminha rapidamente para um regime totalitário. Ela não atende à cláusula democrática e sua dedicação a uma economia de mercado está em dúvida também", disse Azeredo em entrevista em Brasília. Segundo ele, há ainda problemas técnicos com relação às propostas tarifárias venezuelanas.

Chávez nesta semana nacionalizou uma fábrica da norte-americana Cargill e ameaçou estatizar a maior empresa privada do país, depois de já ter nacionalizado numerosas empresas de aço, cimento, petróleo e energia nos últimos anos.

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a legitimidade da emenda constitucional aprovada em referendo que permite a Chávez se candidatar indefinidamente à reeleição, líderes da oposição viram nesse resultado mais um sinal de concentração de poderes e enfraquecimento da democracia.

Chávez, crítico contumaz dos EUA, atacou o Congresso brasileiro pela demora em votar a adesão venezuelana, tendo inclusive chamado os senadores de fantoches de Washington.

Azeredo disse que não tem por que apressar a votação. "Não tenho essa vontade de uma aprovação rápida", afirmou o senador.

Embora o governo tenha maioria na comissão, o senador disse não saber como votará a bancada governista.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também é crítico à adesão venezuelana ao Mercosul, mas disse no mês passado que não impediria nem retardaria a votação.

A Câmara dos Deputados já aprovou no ano passado a adesão da Venezuela ao Mercosul.

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