ENTREVISTA-Alta do petróleo afasta Petrobras de novas captações

Por Denise Luna e Brian Ellsworth RIO DE JANEIRO (Reuters) - Se o petróleo continuar acima dos 65 dólares a Petrobras não precisa mais captar recursos no mercado, afirmou à Reuters o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, lembrando que somente nos primeiros cinco meses desse ano a empresa já obteve 30 bilhões de dólares em financiamentos e captações.

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"Se os preços continuarem acima de 65 dólares não precisamos mais pegar empréstimos para o plano de negócios", afirmou o executivo, recém chegado de uma viagem à China onde obteve 10 bilhões de dólares em financiamento para ajudar a executar o plano de investimentos de 174,4 bilhões de dólares da empresa até 2013.

A companhia calcula que para cada dólar que o preço do petróleo ficar acima do nível projetado pela estatal nos anos do plano de investimentos, o ganho extra será de 500 milhões de dólares por ano.

A Petrobras estimou seus gastos projetando um preço do petróleo tipo Brent de 37 dólares o barril em 2009 e de 40 dólares em 2010. Nesta sexta-feira, o Brent foi negociado perto dos 66 dólares o barril, o maior valor em seis meses.

A alta da commodity, porém, não arquiva a possibilidade da companhia reduzir os preços da gasolina e do diesel no mercado interno, congelados desde o início do ano passado quando o petróleo girava em torno dos 100 dólares o barril.

"O que vai determinar (a queda) é a estabilidade de preços", disse Gabrielli, explicando que a decisão envolve também a taxa de câmbio, que no momento registra valorização do real, diminuindo o preço em dólar dos combustíveis no mercado interno, o que pode favorecer a queda de preços.

FOCO NO BRASIL

O foco no mercado interno está fazendo a empresa reavaliar o portfólio internacional de maneira geral, depois de ter congelado os investimentos externos em 16 bilhões de dólares para o período de cinco anos até 2013.

Ele explicou que a intenção de possíveis vendas de participações em blocos no Golfo do México ou na África, onde possui forte atuação, não tem por objetivo conseguir recursos, mas focar nos projetos brasileiros.

"Venda de ativo não é o motivo para viabilizar o investimento, é foco de atenção, é priorização de atenção, concentração de equipes e viabilização da otimização dos nossas intervenções internacionais", explicou.

Apesar da necessidade de sondas para exploração do pré-sal e de outros projetos da empresa, Gabrielli disse estar tranquilo em relação ao recebimento dos equipamentos, e negou que esteja pensando em trazer sondas de explorações de fora do país para acelerar as descobertas no Brasil.

"A mobilidade de equipamento não é tão fácil, sair do Mar Negro e vir para cá não é tão fácil, e temos sondas para receber", disse o executivo.

Para 2009, segundo Gabrielli, são esperadas nove novas sondas com capacidade para perfurações até 2,5 mil metros e em breve será lançada a licitação do primeiro pacote de 28 sondas para serem entregues a partir de 2013.

"Hoje nós somos a empresa que tem mais sondas contratadas para chegar até 2012", informou.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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