Entidades pedem fiscalização e mudanças no projeto de urbanização para 2016

As experiências de Olimpíadas em outras cidades sugerem que o legado dos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, será negativo ¿ ou não tão positivos quanto defendem o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Organizador Rio 2016. A tese é de Brian Mier, coordenador de programas da ActionAid, uma das entidades apoiadoras do Fórum Social Urbano, que acontece paralelamente ao Fórum Urbano Mundial, no Rio.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

A população precisa cobrar dos governantes transparência nos gastos públicos. Até mesmo o exemplo bem-sucedido de Barcelona teve consequências para a população, com aumento de impostos para pagar dívidas do governo, disse Mier, durante uma mesa redonda sobre o impacto dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio.

O debate contou com a participação de representantes de instituições e entidades, que defenderam a participação democrática nas decisões sobre investimentos em obras públicas, segundo expressão ouvida na mesa redonda.

É imprescindível avaliar as ações do governo e estimular a população a participar de forma ativa. Não podemos ser levianos e aceitar todas as propostas sem avaliação crítica e cautelosa, disse o representante da ActionAid, organização não governamental destinada ao combate à pobreza.

Ao lado dele estavam Renata Lins, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Erick Omena, do Observatório das Metrópoles (UFRJ-FASE/IPPUR), e José Carlos Lopes, coordenador do Centro de Estudos e Ações Sociais e de Cidadania (CEACC).

Brian citou os casos de Seul (1988), Barcelona (2002) e Pequim (2008). Seul tinha 8 milhões de habitantes e foi preciso desalojar 720 mil pessoas, segundo ele. Em Pequim, 1,2 milhão entre 13 milhões de habitantes foram desalojados. Em Barcelona, uma dívida de US$ 1,4 bilhão foi compensada por meio de cobrança de IPTU dos moradores. Os dados são da ActionAid. No Rio, prefeitura, governo estadual e governo federal afirmam que a estratégia é remover apenas a população situada em áreas de risco.

Mudanças

Renata Lins, do Ibase, propôs que a população carioca cobre mudanças para favorecer a urbanização em áreas mais carentes e melhorar o acesso a serviços públicos como transporte, iluminação e saneamento.

Segundo ela, devido à pressão social, o governo de Londres, cidade-sede dos Jogos de 2012, estabeleceu mudanças no projeto para atender áreas mais povoadas da cidade, em contraposição a regiões mais vazias. Precisamos questionar algumas questões, como a remoção de 119 favelas sobre as quais ninguém fala nada, disse Renata.

Pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Erick Omena afirmou que os Jogos Pan-Americanos, em 2007, não trouxeram mudanças significativas para a população carente do Rio, como melhoria do transporte público, construção de moradias populares e reurbanização de favelas. Para ele, a maioria das obras serviu apenas para maquiar favelas, sobretudo no entorno dos equipamentos esportivos.

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