O Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne 400 entidades em todo o País, elevou o tom das críticas sobre a eleição por unanimidade do deputado estadual Elcio Alvares (DEM), de 76 anos, para a Presidência da Assembleia Legislativa do Espírito Santo e disse que o Estado está rendido pelo crime organizado. O movimento culpou o governador Paulo Hartung (PMDB) pela eleição de Alvares para o comando do parlamento estadual.

O deputado foi investigado por ligações com o crime organizado no período que foi ministro da Defesa do governo Fernando Henrique Cardoso (de junho de 1999 a janeiro de 2000).

"Como os anteriores, o atual governador tentou implementar seu programa de governo na primeira gestão, mas reeleito acabou rendido pelo crime organizado. Isto ficou evidenciado, inclusive, com as alterações na cúpula da segurança pública", afirmou, o coordenador do movimento, Isaías Santana.

Santana afirmou que Hartung resgatou politicamente Alvares. "Há no Estado uma hegemonia do Poder Executivo. Hoje, ele (o governador) age como um imperador. Hartung resgatou Alvares e o tornou deputado, depois o nomeou líder do governo e agora o elegeu presidente da Assembleia Legislativa", acusou Santana. A Arquidiocese do Espírito Santo evitou condenar o deputado eleito, mas o arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela, disse estranhar "em uma democracia a eleição de uma chapa única".

A Assessoria de Comunicação do deputado afirmou que ele não se pronunciará mais sobre as críticas. Em uma coletiva, após a sua eleição, o deputado negou qualquer ligação com o crime organizado e lembrou que saiu elogiado por ativistas quando foi da Comissão Nacional de Direitos Humanos como senador e disse que saiu do Ministério da Defesa porque contrariou "altos interesses" empresariais.

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