Entidades consideram cartilha de postos de saúde de SP homofóbico

Cinco entidades que defendem os direitos dos homossexuais fizeram um manifesto contra a cartilha sobre sexualidade distribuída pela Prefeitura em Unidades Básicas de Saúde para orientar o atendimento dos pacientes. O conteúdo é apontado como preconceituoso.

Agência Estado |

Chamado Manual de Atenção de Saúde do Adolescente, o material foi produzido em 2006, e apresentado como diretriz para profissionais de saúde. A pasta, após contato da reportagem, afirmou que fará alterações na publicação.

O trecho que provocou protesto diz que o troca-troca, jogo “comum no início da puberdade”... “tem possibilidade de provocar dano quando por pressão do grupo ou por vontade própria, o jovem passa a ser sempre o passivo; a permanência nessa passividade pode tornar o púbere um homossexual”. “Tratar a homossexualidade como dano é um absurdo. Mostra atraso em relação à literatura médica”, afirma Ferdinando Martins, coordenador da Rede Brasileira de Comunicadores GLS, uma das entidades que assinou o protesto, ao lado da Associação Brasileira de Gays Lésbicas, Travestis (ABGLT), Fórum Paulista GLBT, Grupo de pais de homossexuais e E-jovem.

O médico do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual, Antônio Carlos Egypto, também analisa a publicação como preconceituosa. “A homossexualidade está sendo abordada como problema, o que é errado.” Alexandre Saadeh, psiquiatra especializado em sexualidade do HC , endossa. “O assunto é tratado de forma até machista.” A preocupação é que a forma errônea de tratar o homossexual pode afastá-lo dos serviços de saúde, problema já atestado em pesquisado Programa de Saúde do Adolescente, em que 59,6% dos gays disseram “fugir” dos consultórios por medo de preconceito. A Secretaria informou que a cartilha passa atualmente por revisão completa, com o apoio da Coordenadoria da Diversidade Sexual da Prefeitura.

O texto

“Um dos jogos sexuais praticados pelos meninos é o vulgarmente conhecido como “troca-troca” que, quando descoberto pelos adultos, costuma gerar dúvidas e preocupações quanto a uma possível identificação homossexual na vida adulta. (...) A possibilidade de dano só é real quando existe diferença de idade ou de fase de desenvolvimento entre os participantes ou (...) quando o jovem passa a ser sempre o passivo”

Fernanda Aranda

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