Enterrado menino brasileiro morto pelo pai na Suíça

O menino brasileiro Florian Mutter, 4 anos, foi sepultado nesta manhã em um cemitério da cidade de Kloten, a 12 quilômetros de Zurique, norte da Suíça. Em 26 de fevereiro, ele foi vítima de uma overdose de soníferos seguida de asfixia, em um quarto de hotel no qual passara a noite com o pai, identificado pela polícia local apenas como Gustav G.

Agência Estado |

O menino, filho de brasileira, teria sido morto pelo próprio pai, que a seguir teria tentado se suicidar, sem sucesso.

O homem, um contador de 60 anos, já havia sido condenado há 20 anos por tentar matar seu primeiro filho. Depois de deixar a prisão, Gustav havia vivido por cinco anos com a brasileira Márcia Mutter, de 35 anos, a quem conhecera havia pouco mais de cinco anos em Valência, na Espanha.

O assassinato de Florian aconteceu em um quarto do hotel Krone, na cidade de Winterthur, a 26 quilômetros de Zurique. Segundo a apuração policial, funcionários do estabelecimento foram alertados pelo alarme anti-incêndio do quarto. Ao entrarem, encontraram dois corpos caídos ao chão e recobertos pela poeira branca de um extintor de incêndio. Os paramédicos tentaram reanimar Florian, que chegou a ser levado de helicóptero a um hospital local, antes de falecer. Gustav, por sua vez, pôde ser salvo e está preso.

Separação

As circunstâncias do crime ainda não estão esclarecidas pela polícia. A hipótese mais provável é que Gustav temesse que Márcia fugisse com o filho para o Brasil. Desde a separação, em fevereiro de 2008, o casal disputava a guarda do menino, que foi atribuída ao pai pelo Conselho Tutelar de Bonstetten, cidade na qual a família morava. "Ao longo das últimas três semanas, o pai rejeitou o direito de visita da mãe ao filho", informou à imprensa suíça o ex-advogado de Márcia, Burkard Wolf. "Gustav argumentava que o filho estava doente e precisava ficar em casa."

A polícia estima ainda que o temor de ter o filho sequestrado fosse na realidade uma crise de paranoia de Gustav. Isso porque o histórico judiciário e psiquiátrico do suspeito é taxativo. O pai de Florian já havia cumprido pena de 10 anos de prisão pela tentativa de homicídio de Reto, seu primeiro filho, então com 13 anos. Em 1990, o menino foi jogado de um despenhadeiro, depois de ser espancado a pauladas. Reto sobreviveu com paralisia severa.

Segundo seu histórico psiquiátrico, Gustav era um paciente narcisista, egocêntrico e com perfil psicopático.

A morte de Florian desperta polêmica na Suíça. Uma investigação foi aberta pela diretor de Justiça da cidade, Markus Notter, para apurar porque a guarda do menino foi atribuída ao pai, e não à mãe brasileira, mesmo com a ficha policial de Gustav.

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