Enchentes e deslizamentos deixam 70 mil brasileiros sem casa

Número de pessoas desabrigadas e desalojadas pelas últimas tragédias seria suficiente para encher o estádio do Maracanã

iG São Paulo |

Hoje, 71.308 brasileiros não tem endereço. Suas casas foram destruídas por conta de tragédias naturais ou interditadas porque estão em regiões de risco. É um número bastante grande. O estádio do Maracanã, por exemplo, ficaria totalmente cheio apenas com as vítimas das enchentes.  Comparando com outras tragédias do mundo, também é impressionante. Alguns dias após o furacão Katrina, que em 2005 devastou Nova Orleans, nos EUA, 140 mil pessoas não tinham um lugar para ficar. No começo de 2011, o Brasil tem metade daquele número, com fortes chances de crescimento nos próximos dias. Afinal, os resgates no Rio ainda estão muito longe de acabar.

Até esta sexta-feira, os deslizamentos de terra e as enchentes fizeram com que 20.046 pessoas perdessem suas casas no País. Oficialmente, elas são classificadas como desabrigadas. Elas não têm para onde ir e, para elas, só restam os abrigos publicos e a acolhida de parentes e amigos. Outras 51.262 pessoas tiveram de se mudar das suas casas porque as suas residências estão em situação de risco ou alagadas, por exemplo, por prazo intedeterminado. Para a Defesa Civil, essas pessoas estão desalojadas.

Estado Desabrigados Desalojado Sem casa no Estado
Minas Gerais 2.345 16.975 19.320
Espírito Santo 790 16.212 17.002
Rio de Janeiro 6.050 7.780 13.830
São Paulo 1.980 10.161 12.141
Alagoas 8.000 - 8.000
Pernambuco 848 -  848
Goiás 13 130 143
 Piauí 20  - 20
 Sergipe -  4
Total: 20.046 51.262 71.308
Defesa Civil dos Estados

O Estado com o maior número de pessoas nessas duas categorias é Minas Gerais. Depois de castigar o sul do Estado, agora as chuvas deixam um rastro de destruição no norte. As enxurradas em Montes Claros, por exemplo,  levaram o prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB) a decretar situação de emergência, elevando para 75 o número de cidades mineiras nestas condições. Em Minas, há, até agora, 16 mortos. Ao todo, 124 municípios já foram atingidos, o que representa 14% do total, de 853 cidades. Por causa da força das águas, 6,1 mil casas foras danificadas e 233 destruídas. A Defesa Civil alerta a população: pancadas de chuvas atingem todo o Estado por causa de uma frente fria sobre o litoral da Região Sudeste do país.

“Estamos com risco de desabamentos em áreas ocupadas por antigas construções e hoje (15) declaramos estado de emergência”, explicou o prefeito de Montes Claros. Luiz Tadeu Leite também informou que possui projetos aprovados para evitar a ocorrência de transtornos pelas chuvas, mas aguarda a liberação de recursos. 

Em Pouso Alegre, no sul do Estadop, houve inundações nesta semana, obrigando a prefeitura a declarar situação de emergência. A assessoria de Imprensa da Prefeitura de Pouso Alegre informou que a estimativa é de que 3 mil casas tenham sido atingidas pelas chuvas até agora, levando 40 famílias e 189 pessoas para abrigos. Hoje, 10 ruas permanecem alagadas.São Sebastião da Bela Vista, na mesma região, distante 240 quilômetros de São Paulo, é outro município afetado. As enchentes levaram o Poder Executivo a declarar situação de emergência ontem (13).

Mais chuvas pelo País

Fora do eixo São Paulo, Rio e Minas, um dos Estados que mais tem sofrido com as chuvas é Goiás. Até esta sexta, 143 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas no Estado. O número de afetados chega a 44,9 mil moradores. Até agora,  não há mortos.

Em quatro municípios já foi decretada situação de emergência: na cidade de Goiás (conhecida como Goiás Velho), em Palmeiras de Goiás, Planaltina de Goiás e Itaberaí. Além destas, as cidades de Jesúpolis, Rio Verde e Jaraguá também sofrem com as conseqüências das chuvas.

Somente em Itaberaí, 123 pessoas estão desalojadas e o número de afetados chega a 35,4 mil moradores. A enchente do Rio das Pedras, que corta a região, provocou o rompimento, no dia 4 de janeiro, de uma ponte que dava acesso à capital, Goiânia, no quilômetro 88 da GO-070. No local, foi montada uma ponte metálica. Em Planatina de Goiás, várias casas estão ameaçadas. Na cidade de Goiás, pelo menos dez pontes na zona rural foram destruídas e aproximadamente 40 casarões históricos do município foram atingidos.

Em Mato Grosso, na cidade de Primavera do Leste, a 240 km de Cuiabá, uma criança de 12 anos morreu após ser levada por uma enxurrada na última quarta-feira (12). O garoto brincava com outras crianças ao lado de um bueiro, às margens da BR-070, por volta das 15h, quando escorregou, caiu no canal pluvial e foi levado pela correnteza. A Defesa Civil de Mato Grosso conseguiu encontrar o corpo do menino um dia depois. Apesar disso, em Mato Grosso, até o momento, não foram registrados casos de pessoas desabrigadas ou desalojadas.

No Piauí, foi decretada situação de emergência na cidade de Floriano, distante 188 quilômetros de Teresina. Um temporal, que durou aproximadamente seis horas, deixou 20 famílias desabrigadas. As famílias, conforme a Defesa Civil, já voltaram para as suas residências. Em São Luís, durante o último final de semana, as chuvas destruíram muros de residências e derrubaram árvores no Centro Histórico. As chuvas também provocaram abriram crateras na periferia de São Luís. Não há registros de desalojados ou desabrigados em todo o Estado.

Em Amazonas, Pará, Mato Grosso do Sul, Roraima, Tocantins e Distrito Federal, apesar das fortes chuvas, também não foram registrados desabrigados ou desalojados. No Acre e em Rondônia as chuvas ocorrem abaixo do volume esperado para esse início de ano e ninguém, até agora, teve de sair da sua casa.

Em Alagoas e em Pernambuco, os desabrigados aguardam um novo endereço desde as chuvas de meados de 2010.  É mais um sinal de que, em algumas situações, as chuvas são apenas o começo do pesadelo.

( Com reportagem de Denise Motta, iG Minas Gerais, Renata Baptista, iG Pernambuco, e Wilson Lima, iG Maranhão ).

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