Enchentes arrastam 3 carros para piscinão em SP

A cada puxada do guindaste, uma lágrima de desespero. Nem cheiro ruim nem o sol forte no rosto fizeram o mecânico Luiz Claudio Brasil, de 36 anos, perder a esperança de ver o seu Astra 95 sair inteiro do fundo do piscinão da Água Espraiada na manhã de ontem.

Agência Estado |

Esse é um dos três veículos - que não tinham seguro - arrastados para o piscinão pela enchente da tarde de segunda-feira. E, para desespero dos proprietários, estavam totalmente destruídos.

Da mesma angústia compartilham o autônomo Hélio Araújo, de 41 anos, dono de uma Kombi 82, e o técnico em desentupimento Olavo Geraldo, de 34, primo de João Inácio, que sobreviveu ao escapar pelo porta-malas do Uno minutos antes de o carro afundar. “Não sei o que fazer. Minha Kombi está toda destruída. Trabalho com sucata, tinha reformado (o veículo) fazia dois meses”, disse, chorando ao ver a lataria do automóvel destruída.

Anteontem à tarde, os três veículos estavam estacionados na Rua João de Lery, na zona sul, que termina no Córrego Água Espraiada. Por volta das 15 horas, começou a chuva de granizo. “A minha preocupação era que o granizo ia riscar o meu Astra, mas a chuva estava tão forte que não deu para tirar o carro dali. Quando me dei conta, estava sendo arrastado pela água”, disse Brasil.

As férias de fim de ano para a Praia Grande com a família foram canceladas e, segundo a mulher de Brasil, Alexandra, o prazer de ter conseguido pagar o carro após três anos de financiamento foi por água abaixo. “Esse carro era o nosso xodó; meu marido trabalhou muito para comprar o Astra. Tínhamos alugado casa na praia, mas agora vamos ficar aqui. Nem sei como vamos conseguir comprar um carro de novo.” Luiz Claudio lamenta não ter feito seguro do carro. “Esse Astra é daquele modelo americano, o seguro é muito caro. Foi uma luta para pagar o financiamento e agora ele está destruído.”

Na mesma situação, por ter perdido seu Uno branco, Olavo entretanto comemorava o fato de seu primo João Inácio ter sobrevivido. “Quando a gente viu que ele estava dentro do carro arrastado começamos a correr. Foi um milagre ele sobreviver.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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