Empresas de moda enxugam o perfil de seus desfiles

Por Astrid Wendlandt e Marie-Louise Gumuchian PARIS/MILÃO (Reuters) - Champanhe e canapés caros viraram raridade, as listas de convidados encolheram, e está mais difícil encontrar celebridades nas primeiras fileiras de alguns desfiles de moda hoje em dia.

Reuters |

De Nova York a Londres, Paris e Milão, as maisons de moda, especialmente as menores, vêm reduzindo suas despesas nas passarelas, enquanto outras eliminaram seus desfiles por completo. São sinais de que o setor de luxo está sentindo o impacto da recessão.

Na semana de moda feminina de Milão, que termina em 4 de março, os desfiles caíram para 79, contra 99 no ano passado.

Um exemplo de grife que decidiu não fazer um desfile foi a La Perla, que optou por apresentar sua coleção a compradores, com hora marcada.

Em janeiro houve 20 por cento menos desfiles na semana de moda masculina em Milão. O setor têxtil e de roupas italiano já está pedindo ajuda ao governo, à medida que a crise afeta a demanda por roupas e acessórios.

Os compradores - de pequenas butiques modernas em Paris ou Milão ou de lojas de departamentos como as nova-iorquinas Saks e Bloomingdale's - que assistiram aos desfiles disseram que pretendem reduzir suas compras este ano, alguns em até 30 por cento.

Na semana de moda de Nova York, em janeiro, os frequentadores regulares disseram que os desfiles estavam menores, havia lugares vagos em vários deles, as sacolas usuais de brindes estavam magras ou ausentes, e vários rostos familiares no setor da moda estavam ausentes no público.

Marc Jacobs, que tem sua grife própria e também cria para a Louis Vuitton, reduziu os convites para seu desfile em Nova York em 50 por cento, para mil.

Sua empresa disse que a iniciativa reflete o ambiente e que a grife quer dar mais destaque à coleção, em lugar do show.

Uma convidada ao desfile de Carolina Herrera, que é também diretora de coleção de outra grife, comentou que o "open bar" deste ano no pós-desfile durou menos tempo que o normal. Ela disse, também, que o bufê no desfile de Zac Posen foi mais leve e simples que no passado, consistindo principalmente em cestas de frutas e sanduíches.

GASTANDO COM CAUTELA

Grandes nomes do setor da moda disseram que estão adotando cautela em relação aos gastos, mas que isso não será sentido em seus desfiles.

Os grandes nomes da moda italiana, como Giorgio Armani e Versace, fizeram dois desfiles para apresentar suas criações, como sempre fazem. Roberto Cavalli cancelou seu desfile Just Cavalli devido a problemas financeiros em sua distribuidora, que entrou em administração especial no mês passado.

Mas o principal desfile de Roberto Cavalli seguiu adiante, tendo na primeira fileira a modelo Milla Jovovich e a modelo e atriz Elizabeth Hurley.

A dupla de estilistas Dolce & Gabanna teve em seu desfile as atrizes de Hollywood Scarlett Johansson, Eva Mendes, Naomi Watts e Kate Hudson, além das modelos Claudia Schiffer e Eva Herzigova.

Em Paris, Dior, Louis Vuitton e Hermes disseram que farão seus desfiles conforme o planejado e que pretendem gastar o que for preciso para transmitir suas mensagens artísticas e comerciais.

Mas alguns organizadores reconhecem que o mundo da moda ingressou numa era de contenção. "Antes, havia uma corrida para promover os desfiles mais bombásticos, nos espaços mais valorizados", diz Etienne Russo, diretora da Villa Eugenie, produtora de desfiles de moda que trabalha com grifes como Hermes, Lanvin, Chanel, Sonya Rykiel e Miu Miu.

"Agora as pessoas estão se perguntando se certas despesas são realmente necessárias. É a abertura de um novo capítulo."

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