Empresa francesa quer concluir venda de aviões de combate ao Brasil até 2010

A fabricante francesa de aeronaves Dassault anunciou que espera espera concluir a venda de 36 aviões de combate Rafale ao Brasil até 2010, informou nesta segunda-feira um porta-voz da empresa. O avião nunca foi exportado antes, embora esteja em uso na Força Aérea e na Marinha da França.

AFP |

"Pensamos que as negociações serão finalizadas no próximo ano", declarou. "A declaração do presidente Lula significa claramente que o Rafale ganhou a competição", garantiu o porta-voz da Dassault.

"Haverá negociações técnicas sobre o perímetro da oferta, o avião, a manutenção e o armamento. Elas serão seguidas por discussões financeiras e comerciais e por uma fase de negociação das cláusulas contratuais", enumerou.

O porta-voz se recusou a confirmar o valor do contrato, avaliado pela presidência francesa em pelo menos R$ 13,2 bilhões.

De acordo com a empresa, a obtenção deste contrato foi possível pelo "forte envolvimento pessoal dos dois chefes de Estado" e pela "atratividade da proposta francesa, especialmente em termos de performances do Rafale e de transferência de tecnologias".

O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse que as negociações com a Dassault não se referem a "uma mera compra", porque a França ofereceu "a possibilidade de que os caças sejam fabricados no Brasil", para vendê-los inclusive a outros países da América Latina.

Intenção de compra

Nesta segunda, após se reunir com o líder francês Nicolas Sarkozy, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula confirmou a intenção do Brasil de optar pelo modelo de caça francês Rafale na concorrência para renovação da frota de aeronaves da Força Aérea.

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O Rafale, em uso pela Força Aérea da França

Lula anunciou a decisão da parte brasileira de entrar em negociação para a aquisição de 36 aviões franceses. Já o presidente francês comunicou a intenção da França de adquirir 10 unidades da futura aeronave nacional de transportes militar KC-390, cujo projeto está sendo desenvolvido pela Embraer e tem produção prevista para começar em 2015, e manifestou a disposição de contribuir para o desenvolvimento do programa desta aeronave.

No entanto, Lula não confirmou se o fato de entrar em negociações com a França para a aquisição de aviões significa que os demais candidatos -aeronaves americanas e suecas - estão descartados. "Significa pura e simplesmente que abrimos negociações para a compra do Rafale. Para nós o avião é muito importante, mas mais importante que o avião é a tecnologia".

Sarkozy, porém, deu uma pista de que o processo está decidido e o Brasil deve mesmo adquirir as aeronaves francesas. O chefe de governo faz uma escolha de princípios e depois começamos as negociações em privado. É assim que as coisas estão funcionando. Foi feita a escolha por princípios e eu anunciei a decisão de comprar aviões de transporte brasileiros.

O ministro da Relacoes Exteriores, Celso Amorim, também não quis afirmar que as outras duas opções da licitação foram descartadas, mas deu a entender que o negócio será fechado com os franceses.

"Não entrei no entendimento legal da questão [se o processo de licitação está ou não encerrado]. O que houve foi uma decisão de iniciar negociações. Não houve essa mesma decisão em relação aos outros . No meu entendimento, a compra da aeronaves faz parte do mesmo pacote.

(Com apuração de Christian Baines)

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