Empresa é investigada por usar preço irreal em licitação

SÃO PAULO - A Dialog Comunicação e Eventos usou contrato de preços irrisórios com o Ministério das Cidades para comprovar capacidade técnica e ganhar, por R$ 21 milhões, licitação no Ministério da Pesca. Em 26 de maio, a empresa apresentou o menor valor para organizar nos próximos meses 73 eventos do governo federal ligados ao setor.

Agência Estado |

O diálogo do pregão eletrônico revela que o serviço fechado com a pasta de Cidades em 2007 - com diárias simbólicas, entre R$ 2,43 e R$ 4,85, conforme revelou neste domingo o "Estado" - foi utilizado pela Dialog para ganhar a concorrência da Pesca. O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam o caso.

A contradição da empresa, uma das maiores do ramo de eventos do governo, está na proposta de maio. Muitos itens são semelhantes ao contrato fechado em 2007, mas os valores, completamente diferentes. Enquanto a diária de um cerimonialista foi cotada a R$ 4,85 naquela época, hoje aparece a R$ 500. O preço de um técnico de computação gráfica subiu de irrisórios R$ 2,43 para R$ 154.

Segundo o Ministério das Cidades, a viabilidade da execução desses preços simbólicos foi comprovada, à época, apenas por amostragem. O Ministério da Pesca informou que pretende esperar a análise dos recursos na licitação para tomar uma decisão sobre a Dialog.

Sócia da empresa, Gabrielle Bennet alega que fez acordos comerciais para conseguir arcar com os valores simbólicos. A diferença, segundo ela, decorre de mudança no ramo de eventos. Os contratos em vigor referentes aos preços irrisórios, explica Gabrielle, dão prejuízos à Dialog, ligada à Gráfica e Editora Brasil, que recebeu R$ 90 milhões do governo Lula desde 2006.

Pelo menos 105 itens, entre 239 dessa tabela de preços, estão com diárias fora da realidade. O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) estão analisando esses contratos. Na avaliação dos órgãos, uma empresa se beneficia, de maneira ilícita, de preços sem condições de execução para vencer licitação e receber pelos serviços que estão dentro ou acima do valor de mercado. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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