Empresa acusa MST de ter matado 654 bois no Pará

A Agro Santa Bárbara acusa integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de já terem matado 654 bois desde que suas fazendas, no sul do Pará, foram invadidas, a partir de julho de 2008. De acordo com relatório, divulgado hoje pelo grupo, os sem-terra mantêm o controle das propriedades, decidindo quem entra ou sai.

Agência Estado |

Somente nos últimos três meses, foram registrados 18 focos de incêndios nas propriedades invadidas (Fazendas Espírito Santo, Maria Bonita, Cedro, Castanhais, Ceita-Corê/Baixa da Égua, Fortaleza, Cristalino e Porto Rico), no Sudeste paraense. O fogo causou danos irreparáveis em mais de 500 hectares.

No mesmo período, foram arrancados vários quilômetros de cercas e de estacas. Barragens que forneciam água para o gado foram destruídas, estradas foram escavadas, máquinas roubadas, equipamentos de trabalho destruídos, segundo o relatório. Ocorreram ainda ataques a colônias de casas de funcionários, expulsos de madrugada e saqueados. Outros empregados, com medo, abandonaram o trabalho. "Quando bem entendem, formam barricadas na rodovia PA 150 e cobram pedágio dos motoristas que passam. E se divertem matando gado, derrubando cercas e ateando fogo em pastagens e áreas de florestas", diz o documento.

De acordo com o relato, algumas dezenas de animais foram mortas e deixadas no mato. Uma área de 300 hectares de pasto foi destruída com tratores. "Estas denúncias foram registradas em vários ofícios enviados pela Agro Santa Bárbara ao secretário estadual de Segurança Pública do Pará, Geraldo José de Araújo, e para várias autoridades estaduais e federais. Somente nos últimos cinco meses, foram 12 ofícios encaminhados ao titular da segurança do Pará e a várias autoridades", informa o relatório. As fazendas Maria Bonita (Eldorado dos Carajás) e Espírito Santo (Xinguara), duas das localidades invadidas, têm mandados de reintegração de posse assinados pela Justiça, mas não foram cumpridos pelo Governo do Estado do Pará.

Defesa

O coordenador do MST no Estado, Charles Trocate, negou que integrantes do movimento tenham matado bois. "É voz corrente que os próprios empregados armaram um esquema para desviar o gado e vender aos açougues da região. Todo boi que some é posto na conta do MST."

Segundo Trocate, os sem-terra usaram uma área de pasto para cultivar horta e cereais. "Não houve nenhum crime ambiental, pois a fazenda toda já estava desmatada."

Ele acusou a empresa de ter contratado pistoleiros disfarçados de vaqueiros para atacar os sem-terra. "Dezoito dos nossos já foram feridos a tiros."

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