Empreiteiras integrantes de três consórcios de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio, doadoras em 2006 das campanhas do governador Sérgio Cabral Filho e de seu partido, o PMDB, também fizeram doações para a campanha do prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes em 2008, segundo a Justiça Eleitoral. A Carioca Christiani-Nielsen, a Construtora OAS e a EIT Empresa Técnica somaram R$ 1,65 milhão em doações diretas para Paes, em repasses contabilizados segundo a legislação.

A Carioca e a OAS também doaram para Fernando Gabeira (PV).

Integrante do consórcio Novos Tempos, formado com Queiroz Galvão e Caenge para as obras da Rocinha, a Carioca doou R$ 300 mil a Paes e R$ R$ 150 mil a Gabeira. Em 2006, a empreiteira deu R$ 700 mil para a campanha de Cabral Filho. A OAS, do consórcio Rio Melhor, formado com a Delta e a Construtora Norberto Odebrecht para o PAC no Complexo do Alemão, deu ao candidato do PMDB a prefeito R$ 350 mil, mais R$ 150 mil ao comitê de campanha do seu partido. Para Gabeira, deu R$ 250 mil em 2008, além de R$ 250 mil para o comitê do PV. Já a EIT, que com Andrade Gutierrez e Camter cuida do PAC em Manguinhos, doou R$ 1 milhão para Paes e nada para o PV. Nas eleições para o governo estadual, a OAS doou R$ 800 mil para Cabral Filho, e a EIT, R$ 200 mil.

Somadas, as contribuições das três empreiteiras do PAC equivalem a 14,46% da receita de campanha de Paes. Ele arrecadou 11.408.325,00, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao todo, pelo menos 33,73%, ou um terço (R$ 3.848.500,00) do dinheiro que o prefeito eleito arrecadou para se eleger foi bancado por empreiteiras, incorporadoras e empresas de engenharia.

Legalidade

O gerente de Relações Institucionais da Carioca Christiani Nielsen, Mário Lobo, disse que as contribuições de campanha da empresa foram feitas "dentro da legalidade e como forma de contribuir para o processo democrático". A Carioca também fez doações em São Paulo, inclusive para candidatos a vereador, assinalou. A OAS foi procurada pela reportagem, mas alegou dificuldades para localizar as pessoas autorizadas a falar em seu nome e não respondeu até o início da noite. A EIT, maior financiadora isolada de Paes, já informara que não se pronunciaria sobre suas contribuições.

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