Emissão soberana acelera volta de empresas ao mercado, diz Anbid

Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - A volta do governo brasileiro ao mercado externo deve acelerar a retomada das captações privadas no mercado de capitais, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

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"Isso abre portas. Mostra que as condições para o Brasil no mercado internacional são privilegiadas", disse a jornalistas o vice-presidente da entidade, Alberto Kiraly, ao divulgar forte queda nas operações privadas no primeiro semestre de 2009.

O Tesouro Nacional informou hoje que concedeu mandato para a reabertura de bônus da dívida externa denominada em dólares, com vencimento para janeiro de 2037.

Depois de anos de farta liquidez internacional, que levou as empresas brasileiras ao pico histórico de 147 bilhões de reais em 2007 em recursos captados no mercado de capitais, o aprofundamento da crise global no final do ano passado praticamente congelou essas emissões .

Agora, de forma seletiva, companhias domésticas começam de novo ser bem-sucedidas, à medida que investidores internacionais retomam o interesse por papéis de companhias de países menos atingidos pela crise, como o Brasil, segundo Kiraly.

De janeiro a junho deste ano, os recursos levantados por empresas com instrumentos como ações e debêntures chegou a 31,5 bilhões de reais, uma queda de 36,6 por cento em relação ao mesmo período de 2008, segundo a Anbid. Consideradas operações concluídas ou prestes a serem fechadas, o montante em 2009 chega a 44 bilhões, afirmou Kiraly.

No período, houve um predomínio de emissões de renda fixa, com 20,1 bilhões, ainda assim mostrando uma queda em relação aos 34,7 bilhões da primeira metade de 2008. Isso sem contar que quem conseguiu acessar o mercado teve que concordar com preços mais salgados e prazos menores.

No caso das debêntures, o prazo médio das colocações caiu de 6,3 anos para 2,2 anos. A taxa de juros média subiu da faixa de 100 a 127 por cento do CDI para a de 114 a 142 por cento do

CDI.

Em renda variável, o montante levantado caiu 24,5 por cento em relação à primeira metade de 2008, para 11,3 bilhões de reais.

E a queda em 2009 só não foi ainda maior devido aos valores elevados de algumas operações, como a oferta pública inicial de ações da Visanet, então a maior do mundo em 2009, com 8,4 bilhões de reais. De acordo com Kiraly, a busca por liquidez tem levado os investidores a participar apenas das emissões grandes, na faixa de 1 bilhão de reais.

"Agora com a emissão soberana dá uma sinalização positiva, que pode abrir o leque para mais empresas também emitirem", afirmou.

Mas a Anbid já evita falar em projeções. No início do ano, a entidade chegou a prever que o setor corporativo do Brasil levantaria de 100 a 120 bilhões de reais no mercado de capitais.

(Por Aluísio Alves)

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