Embraer diz que Azul tenta comprar aviões de clientes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Embraer, Frederico Curado, afirmou nessa quarta-feira que a Azul está tentando comprar aeronaves de operadoras clientes da fabricante brasileira, corroborando os rumores de que a nova empresa aérea pretende antecipar para o fim desse ano o início das operações no Brasil. O que eles estão tentando fazer é buscar aviões mais cedo no mercado com outras empresas, disse Curado a jornalistas após palestra na Coppe. Eles estão buscando com operadores nossos que compram da Embraer que talvez vendam o avião para eles.

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O presidente da Embraer informou que a empresa vai entregar em dezembro desse ano cinco aeronaves para a Azul, mas 'isso não tem nada a ver com uma entrega mais cedo'.

O executivo afirmou que a entrada da Azul e as encomendas da Trip provocarão uma 'revolução no mercado aeronáutico brasileiro'.

A Azul encomendou 36 aviões da Embraer e ainda tem mais 40 opções de compra da fabricante nacional ao passo que a Trip já contratou 5 aeronaves e tem a opção de encomendar outros 15 a 20 aviões.

'Isso é uma pequena revolução para a frota que temos hoje.

Esse número pode chegar a 100 aviões em cinco ou seis anos,' avaliou o executivo ao destacar que a Azul vai explorar um nicho de mercado ( aviação regional) que não é atendido por Gol e TAM.

'O mercado de aviação civil no Brasil involuiu a partir do fim do subsídio para as regionais e com o fim de Vasp, Varig e Transbrasil... Há rotas viáveis que a Azul vai tentar entrar. A sensação é que temos hoje um duopólio.'

Segundo ele, a participação das vendas da Embraer para o mercado nacional vai superar os 4 por cento atuais.

'Hoje, cerca de 96 por cento da produção é voltada para o mercado externo', disse Curado

TURBOÉLICE DE VOLTA

A alta do petróleo no mercado mundial que provocou um forte elevação no preço do querosene de aviação pode trazer de volta ao mercado o avião turboélice, de acordo com Curado

Segundo o executivo, as empresas aéraes já começam a avaliar a opção de promover a volta ao mercado dos aviões turboélice, que são considerados mais econômicos.

'É um percepção errada que o turboélice é de tecnologia antiga ou passada ou menos seguro que os aviões a jato. A engenharia é a mesma. Cabe as empresas decidirem', disse Curado, ao ressaltar que a Embraer ainda não desenvolve nenhum projeto para turboélice, mas está sempre 'tentando olhar o mercado 10 anos a frente'.

O presidente da Embraer descartou também no curto prazo a utilização de biocombustível na aviação comercial internacional.

'É um desafio tremendo. O QAV é disparado o melhor combustível. Estamos a 15 anos desse paradigma', finalizou

(Por Rodrigo Viga Gaiers; edição de Alexandre Caverni)

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