Em Vitória, Tony Sheridan lembra carreira e momentos ao lado dos Beatles

VITÓRIA ¿ Em sua passagem por Vitória, onde se apresenta no próximo fim de semana, o guitarrista inglês Tony Sheridan lembrou hoje alguns dos principais momentos de sua carreira e do período em que passou ao lado dos Beatles, no início dos anos 60.

EFE |

Em sua curta passagem pelo Brasil, Sheridan fará um megashow na praia de Camburi, na capital do Espírito Santo, no próximo domingo, ao lado da banda Clube Big Beatles, um dos mais tradicionais grupos brasileiros de tributo ao quarteto de Liverpool.

Um dia antes, se apresentará na casa Spírito Jazz, também em Vitória, como parte do Projeto Sócio de Carteirinha, idealizado pelo Clube Big Beatles, que vai acompanhá-lo em seus shows no país.

Considerado o responsável por lançar os Beatles no mundo dos discos ao convidá-los para ser sua banda de apoio durante uma série de gravações em Hamburgo, na Alemanha, o músico contou como o rock n' roll influenciou os jovens do período pós-guerra na Inglaterra.

"Todos nós passamos pela puberdade. Para quem nasceu nos anos 40 na Inglaterra, e isso inclui os garotos de Liverpool, a puberdade e o rock n' roll aconteceram mais ou menos na mesma época, e aquilo significava a liberdade para nós", disse.

"Para mim, olhando agora, vejo que isso tudo foi resultado da Segunda Guerra Mundial. Quando fui convidado pela primeira vez para tocar na Alemanha, para os 'inimigos', todos em Londres falavam que o rock n' roll estava morrendo e que nós precisaríamos arrumar um 'emprego de verdade'. Por isso não duvidei em me mudar para a Alemanha", afirmou.

O guitarrista inglês, que foi apelidado de "O Professor" por John Lennon e George Harrison, comentou também sobre seu contato com os Beatles, quando eles se apresentavam no "distrito da luz vermelha" em Hamburgo.

"Quando eu tocava com os Beatles nós fazíamos um blues bem rústico, muito diferente do que a banda se tornou depois, em seus primeiros discos. Naquela época, fizemos mais de 100 shows, e é uma pena que ninguém nunca poderá saber como era nosso som naquele tempo, porque nada foi gravado", contou.

Sheridan lembrou ainda a importância de sua vida na Alemanha do pós-guerra, e sua influência sobre os jovens do país naquele momento.

"Pode parecer arrogante dizer isto, mas eu queria influenciar os jovens alemães, mostrar a eles o mundo que surgiu depois da Segunda Guerra Mundial", declarou.

"Na Inglaterra, tínhamos o rock n' roll, experimentávamos novas sensações, e eles não tinham nada disso. O período em que Hitler passou no poder deixou uma cicatriz profunda em todos os alemães, e acho que podia ajudá-los a superar isso", disse Sheridan.

O guitarrista comentou ainda sobre o período em que tocou para as tropas americanas durante a Guerra do Vietnã, e brincou sobre a oposição de Lennon ao conflito.

"Fui para o Vietnã procurar novos ares, porque já estava há muito tempo na Alemanha. Foi uma experiência única tocar para os americanos e, como um músico inglês de rock n' roll, posso dizer que pela primeira vez me senti completamente aceito depois disso.

Talvez, se John (Lennon) tivesse ido para lá também em vez de ficar protestando em Nova York, a guerra tivesse acabado bem antes", concluiu.

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