Em turnê por Nova York, Gil defende taxação de mídias de armazenamento

NOVA YORK ¿ O ministro da Cultura do Brasil, o cantor e compositor Gilberto Gil, disse hoje, em Nova York, que é a favor da aplicação em seu país da taxação dos dispositivos eletrônicos que permitem a cópia de discos ou filmes.

EFE |

Em entrevista à Agência Efe, Gil, que é um reconhecido defensor das novas tecnologias e libera a gravação de seus shows com telefones celulares ou câmeras digitais, expressou seu apoio à imposição de taxas sobre diferentes mídias de armazenamento, como discos rígidos, CDs ou DVDs.

"É justo que os artistas e os criadores sejam remunerados. No Brasil, não propusemos um imposto específico para suportes de bens culturais, mas eu acho que pode ser proposto", afirmou o ministro.

Gil, que assumiu o Ministério de Cultura do Brasil há cinco anos, assumiu uma posição que já gerou muita polêmica nos países que decidiram aplicá-la.

No caso da Espanha, por exemplo, desde o começo do mês, CDs, DVDs, reprodutores de arquivos digitais de áudio e vídeo, telefones celulares e portáteis como palmtops e smartphones são taxados com um imposto especial.

"Lembrem que, quando havia fitas cassetes, houve um momento em que foi pedido aos fabricantes que destinassem uma parte do preço que cobravam para remunerar os criadores, algo que agora, com as novas mídias, é possível fazer", disse Gil, que esta semana apresentou em Nova York o disco "Banda Longa Cordel".

No Brasil, segundo um relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), cerca de 1,8 bilhão de arquivos digitais são baixados anualmente e de modo ilegal através da internet.

Segundo o mesmo documento, apresentado em Londres no começo do ano, o mercado fonográfico brasileiro encolheu 50% no primeiro semestre de 2007.

O ministro brasileiro afirmou que sempre defendeu o uso das novas tecnologias, devido ao "caráter social que têm em seu código genético" e porque "a tecnologia sempre foi, na história da humanidade, uma mola propulsora, um meio de fazer o conhecimento avançar".

"Uma das maneiras de avaliar as tecnologias é fazer com elas a maior experimentação possível, especialmente agora que são baratas, universais e acessíveis a cada vez mais pessoas no mundo todo", afirmou Gil, segundo quem as pessoas deveriam utilizar "seus telefones e câmeras de todas as formas possíveis".

"Alguém falar com um artista, poder gravar sua voz e enviá-la a seus amigos é um experimento que ajuda a sociedade a se conhecer melhor como conjunto humano", disse o músico, que considera ele mesmo "um meio que oferece possibilidades para experimentos".

Em sua turnê para divulgar seu primeiro álbum de composições inéditas em 11 anos, Gil, um dos primeiros músicos brasileiros a transmitir seus shows pela internet, pede a seus fãs que gravem sua apresentação e guardem o material para desfrute pessoal.

No entanto, em Nova York, onde se apresentou no Teatro Nokia, os fãs do brasileiro não puderam sacar suas câmeras ou celulares, devido às normas da casa de shows. Mas, segundo o músico, em outros palcos, a iniciativa foi muito bem recebida pelo público.

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