Em três anos, patrimônio de vice-governador do Distrito Federal cresce 60%

Em três anos, o patrimônio do vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), um dos políticos mais ricos do país, deu um salto de pelo menos 60%. Em sua prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral, em 2006, quando foi candidato a vice na chapa vitoriosa do governador José Roberto Arruda (DEM), ele declarou ter bens avaliados em R$ 323 milhões, o que incluía imóveis em Brasília, participação em concessionárias de veículos, hotéis, emissoras de rádio, além de obras de arte e ações.

Lucas Ferraz e Matheus Leitão, iG Brasília |

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  • Agência Brasil
    Paulo Octávio e Arruda juntos/ Foto: Arquivo

    Arruda e Paulo Octávio juntos/ Foto: Arquivo

    A reportagem do iG teve acesso a dezenas de certidões de registros de empresas da Junta Comercial do Distrito Federal, emitidas em junho, em que Paulo Octávio, investigado na Operação Caixa de Pandora pelo suposto envolvimento no esquema de corrupção que envolve Arruda e seus aliados políticos, aparece como sócio majoritário. 

    Somando todas as suas participações, o seu atual patrimônio já é superior a R$ 516 milhões. Juntas, as doze empresas em que Paulo Octávio aparece como cotista têm capital de mais de R$ 610 milhões. Em nenhuma, contudo, ele aparece como administrador ou gerente. Se você olhar no ano que vem, meu patrimônio vai ser ainda maior, disse Paulo Octávio. Segundo ele, é feita anualmente uma reavaliação do patrimônio de suas empresas. Como ele afirma, elas sempre "crescem". 

    Uma das maiores empresas do DF

    A Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda é uma das maiores do ramo de imóveis na capital federal e tem o maior valor de mercado, R$ 515 milhões. A empresa é acionista em outras nove em que o vice-governador também é cotista, como as rádios Gama e JK, as concessionárias Dakar e Bali, e o hotel St. Paul Plaza (o vice-governador omitiu esse empreendimento da declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral).

    No documento da Junta Comercial, Paulo Octávio aparece como dono de uma cota de R$ 270 mil, mas a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários tem participação majoritária no hotel, R$ 2,4 milhões. 

    Sobre a omissão do hotel St. Paul Plaza de sua declaração entregue à Justiça Eleitoral, Paulo Octávio diz não se lembrar do motivo. Tenho que ver isso com meu contabilista, não sei te dizer o que aconteceu.

    A Corte Clube Prive Empresa de Diversões é a única empresa em que Paulo Octávio é dono e não tem R$ 1 de capital. Era seu sócio nesse empreendimento Sérgio Naya, ex-deputado e empresário, morto em fevereiro deste ano, conhecido por ser dono da construtora responsável pelo edifício Palace 2, que desabou no Rio, em 1998, matando oito pessoas e desabrigando centenas de famílias.

    Naya, além de bens embargados, teve o mandato cassado. Embora sem capital e com o bloqueio das cotas de Sérgio Naya solicitado pela Justiça, a empresa ainda tem registro ativo na Junta Comercial.

    Operação Uruguai

    Caso de sucesso empresarial em Brasília, onde suas empresas imobiliárias são responsáveis por prédios e condomínios para as classes média e alta, Paulo Octávio foi um dos avalistas da Operação Uruguai, um empréstimo forjado pelo ex-presidente Fernando Collor para tentar justificar recursos do caixa dois operado por seu tesoureiro Paulo César Farias. Casado com uma das netas do ex-presidente Juscelino Kubitschek, antes de ser eleito vice-governador do Distrito Federal, foi deputado federal e senador. 

    A Operação Caixa de Pandora, deflagrada no último 27, apura um suposto esquema de corrupção que envolve José Roberto Arruda, o vice Paulo Octávio, além de deputados distritais, secretários do GDF (Governo do Distrito Federal) e empresários.

    Segundo o inquérito, que é presidido pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o esquema era alimentado por recursos supostamente desviados de empresas prestadoras de serviço ao governo.

    Leia também:

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