O canteiro de obras das eclusas do rio Tocantins, ao lado da usina hidrelétrica de Tucuruí, no sudeste do Pará, foi invadido e ocupado hoje por 350 integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de associações de pescadores. Os empregados da construtora Camargo Corrêa, empresa responsável pela obra, foram expulsos do local, deixando para trás máquinas e equipamentos nas mãos dos invasores.

Os trabalhadores rurais protestam contra a violência no campo, a morte de 14 líderes rurais nos últimos três anos e também contra a demora das Centrais Elétricas do Norte (Eletronorte) em cumprir, desde 2004, um convênio até hoje não assinado que beneficiaria 900 famílias da região, com recursos para agricultura e criação de peixe em tanque-rede. Os manifestantes afirmam que pretendem permanecer no local até que sejam atendidos por representantes do governo federal e da Eletronorte.

Um dos líderes da ocupação, Ismael Rodrigues, do Movimento dos Pescadores das Zonas de Proteção da Vida Silvestre (ZPVS), informou que os movimentos sociais decidiram unificar as pautas em uma única manifestação. "Esse povo todo aqui quer discutir seus problemas e cobrar justiça pela morte de várias lideranças nossas", afirmou ele, citando o caso do sindicalista Raimundo Nonato, liderança de Tucuruí, assassinado na porta de casa a tiros, no último dia 16, por dois pistoleiros.

A Eletronorte nega que existam indenizações em atraso para os atingidos pela construção da barragem da hidrelétrica. De acordo com a empresa, dos 362 processos, 270 já estão pagos, 49 negociados e 43 estão em fase de negociação. A empresa afirmou as indenizações da área rural já foram todas pagas. A Camargo Corrêa informou que decidiu paralisar as obras na Eclusa II para "preservar a integridade dos funcionários". Também alertou que na área há materiais que podem oferecer risco aos manifestantes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.