Em tempo de crise, músicas pegajosas e belas cantoras distraem búlgaros

Vladislav Púnchev. Sófia, 26 fev (EFE).- Melodias pegajosas, letras simples e belas cantoras fãs declaradas do silicone são alguns dos ingredientes da chamada chalga, um gênero de música popular que faz sucesso na Bulgária desde a queda do comunismo e que agora serve de válvula de escape perante a crise econômica.

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A chalga, hoje também conhecida como popfolk, viveu seu auge com um show na terça-feira em pleno centro de Sófia, que reuniu os mais famosos representantes do gênero em uma grande festa de entrega de prêmios.

Artistas como Preslava, Maria, Andrea e Boni foram as rainhas da festa, com um desfile de corpos espetaculares, roupas sugestivas e canções sobre amor, infidelidade e dinheiro.

O certo é que os últimos anos viram como o gênero foi tomado pelas exuberantes cantoras, que tiveram na cirurgia plásticas e nos implantes de silicone, mais do que no talento para cantar, a porta de entrada à fama.

Muitas delas são casadas com ricos empresários ou esportistas, como Alicia, mulher do jogador Valeri Bozhinov, do clube inglês Manchester City, e Andrea, esposa do boxeador Kubrat Pulev.

Mas o fenômeno particular no popfolk búlgaro é o cantor Azis, um cigano que surgiu com sua maquiagem feminina, vestidos e um reconhecido homossexualismo.

Uma atitude e estilo que, apesar do tradicional conservadorismo búlgaro em matéria de orientação sexual, ganhou o respeito do público.

"O popfolk é herdeiro da chalga que apareceu nos primeiros anos após a queda do Comunismo, porque até então não houve outra música tão próxima das massas", explicou à Agencia Efe o cantor de Rado Show, que lembrou que antes se escutava de forma clandestina a música que chegava da Iugoslávia ou da Grécia.

O certo é que as letras das canções se destacam por suas explícitas alusões ao sexo e não faltam as referências a embriaguez, poligamia e delinquência.

Conteúdos que foram bem recebidos pelo público e que, em uma época de crise econômica, serve mais do que nunca para aliviar tensões.

Por isso, o gênero chalga é o preferido entre os novos clãs mafiosos que se destacam por uma imagem "kitsch", mistura de grandes riquezas e pouco nível cultural.

Não é estranho ver estacionados carros de luxo diante dos clubes noturnos em que cantores de chalga fazem show.

Musicalmente, a chalga recolhe motivos folclóricos sérvios, gregos, turcos e até árabes. "Hoje em dia essa música se aproxima muito do hip-hop, do jazz e do blues", afirma Show.

Os interpretes da chalga são autênticas estrelas, muito usadas em campanhas publicitárias e donas do coração da maioria dos búlgaros, que com a crise econômica, mais do que nunca buscam escapar do estresse através do mundo de diversão oferecidos por essas canções.

EFE Vp/rr

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