Em SP, PMs enfrentam camelôs na Rua 25 de Março

Nem a conversa, nem as bombas, nem uma ameaça de suicídio. Só a chegada da chuva pôs fim ao conflito entre camelôs e policiais militares, na tarde de ontem, na Rua 25 de Março, maior centro popular de compras de São Paulo.

Agência Estado |

Durante mais de seis horas, PMs e ambulantes irregulares se enfrentaram, deixando um saldo de seis detidos, três mulheres feridas, entre elas uma grávida, e um dia de perdas no comércio.

O motivo de tanta confusão foi o convênio firmado entre a Prefeitura e a Secretaria da Segurança Pública do Estado que transferiu para os PMs a tarefa de combater o comércio irregular na 25 de Março, substituindo a Guarda Civil Metropolitana (GCM). A partir de agora, os guardas circularão apenas no entorno das ruas.

O "rapa cinza", como definiram os camelôs, chegou à 25 de Março de manhã. Por volta das 10 horas, os ambulantes começaram a se reunir. "Pretendíamos começar uma manifestação pacífica, mas eles (policiais) não queriam que fosse aqui", afirmou Edvaldo dos Santos Júnior, de 26 anos, um dos representantes dos camelôs que trabalham sem licença na 25 de Março.

Dali em diante, manifestantes passaram a arremessar ovos contra as lojas. "Sujaram tudo", relatou o segurança Vanderson Soares, de 28 anos. "Aí ficamos acuados. Ninguém conseguia trabalhar." Vários clientes se refugiaram nas lojas para escapar das bombas de efeito moral e das balas de borracha disparadas pelos policiais.

Por volta do meio-dia, desesperado, um dos camelôs, conhecido como Nildo, de 32 anos, subiu no 8º andar do prédio do número 817, pendurou-se do lado de fora da janela e ameaçou se jogar. Foram cerca de 2h30 de negociação até que o bombeiro Jean se arremessasse do 9º andar, com a técnica de rapel, agarrando o ambulante.

Feridos e detidos

Terminado o resgate, os policiais começaram a lançar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, que, por sua vez, arremessavam cocos e ovos e ateavam fogo nas latas de lixo. Em meio a isso, Paula Fernanda, de 24 anos, foi ferida na orelha esquerda. "Acabei de chegar. Vim fazer compras", respondia ela, enquanto era amparada pelo marido, Márcio Seabra, de 32 anos. Ela está grávida de 4 meses.

A reportagem presenciou mais três mulheres passando mal. "A intenção não é acertar ninguém, e sim dispersar", afirmou o tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Orlando Taveiros. "A PM está aqui para garantir a ordem." Dos detidos, quatro camelôs foram autuados por desacato e resistência e dois menores assinaram termos circunstanciados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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