Principal vitrine da gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o projeto para revitalizar a região da Nova Luz, mais conhecida como cracolândia, no centro da capital paulista, foi abandonado pelo mercado imobiliário. Para as maiores incorporadoras do País, o modelo de concessão urbanística da Nova Luz cria guetos de baixa renda dentro de um espaço no qual a mistura entre classe média, moradores de conjuntos habitacionais e comércio deveria ser a fórmula da revitalização.

A queda de braço entre Prefeitura e construtoras não terá final fácil - enquanto o governo diz que o projeto sai em quatro anos, sem mudanças nas regras, as empresas dizem que não vão mais investir.

O empecilho à reocupação dessas ruas, segundo as incorporadoras, está delimitado no Plano Diretor Estratégico de 2002 como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). Dentro da Nova Luz, um quarto da área é formado por Zeis-3, cuja ocupação deve obedecer à proporção de 40% para habitações de interesse social (para famílias com renda de até 5 salários mínimos) e de 40% de imóveis de mercado popular, para famílias com renda de até 16 salários. Só 20% da área fica de uso livre.

"A Nova Luz foi pensada para irradiar um novo modelo de crescimento na cidade, com a mistura de usos numa mesma região. O modelo que está proposto não interessa ao mercado. O nosso projeto foi feito pelo Jaime Lerner, que não vai mais participar da concorrência", afirma Cláudio Bernardes, vice-presidente do Secovi. Ele ainda refuta as críticas de urbanistas, de que o mercado não quer construir moradias populares com pequena margem de lucro. "Queremos construir, mas de forma pulverizada. Não podemos criar um Cingapura dentro de um espaço que pretende ser modelo de requalificação no País."

Defesa

"A conta fecha, sim." O secretário municipal da Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, é categórico em afirmar que as reivindicações do setor imobiliário sobre a concessão urbanística da cracolândia são exageradas e até mesmo infundadas. "Já falei com o Secovi e mostrei que a conta fecha, eles conseguem lucrar na Nova Luz", disse. "Ali, mesmo com a legislação das Zeis-3, é possível fazer apartamentos de até R$ 170 mil, não é para família de baixa renda, é família com mais de 6 salários mínimos. Isso não cria gueto nenhum."

Segundo as contas da Prefeitura, nos quase 4 milhões de metros quadrados que poderão receber esse tipo de habitação popular na região central (as Zonas Especiais de Interesse Social, ou Zeis), cabem 600 mil moradores - 364,8 mil com renda de até 6 salários mínimos e 235,9 mil com renda entre 6 e 15 salários mínimos. O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, diz que as Zeis da Nova Luz continuarão onde estão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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