SÃO PAULO - O dono do Banco Opportunity, Daniel Dantas, chegou, por volta das 10h desta quinta-feira, à sede da 6ª Vara Federal Criminal em São Paulo. Dantas e seu assessor, Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e que foi solto na quarta-feira, devem prestar novo depoimento hoje ao juiz Fausto De Sanctis e acompanhar os depoimentos dos delegados da Polícia Federal Protógenes Queiroz e Victor Hugo Rodrigues Ferreira, responsáveis pela Operação Satiagraha, e do escrivão Amadeu Ranieri.

Ao chegar, Dantas falou brevemente com os jornalistas e disse acreditar que o delegado Protógenes tem um objetivo que não é pessoal. Perguntado sobre qual seria esse objetivo, Dantas respondeu: ele quer criar dificuldades.

Os dois delegados e o escrivão que depõem hoje são testemunhas de acusação do Ministério Público em processo que resultou da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que desmontou suposto esquema de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Todos os réus na operação Satiagraha foram intimados a comparecer à audiência desta quinta-feira, segundo a assessoria da Justiça. Dantas, Humberto Braz e Hugo Chicaroni são acusados de corrupção ativa.

O advogado de Dantas, Nélio Machado, disse que seu cliente vai se manter calado hoje, como fez em todos os seus depoimentos na polícia e na Justiça, embora tenha falado na CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, em Brasília. A defesa pede a transcrição integral das fitas do encontro entre Humberto Braz, Hugo Chicaroni e o delegado Vitor Hugo, no qual houve uma suposta tentativa de suborno.

Depoimento na CPI das Escutas Clandestinas

Em depoimento na CPI, Dantas negou ter contratado a empresa Kroll para fazer escutas telefônicas ilegais ( saiba mais ) e acusou o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, de articular a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, como represália à divulgação de um suposto dossiê que o banqueiro teria divulgado contra Lacerda. As informações, divulgadas pela revista Veja, mostrariam supostas contas de Lacerda no exterior.

Em novembro do ano passado eu fui informado de que existia uma operação encomendada na PF contra mim. Eu não dei muita importância. O que diziam é que teria sido pedido pelo doutor Paulo Lacerda como represália por ele achar que eu era o responsável por ter entregue a uma revista um relatório de contas no exterior, disse.

Dantas negou que fosse o responsável pelo dossiê e informou que mandou interlocutores para falar com Lacerda para negar a informação veiculada. Eu fiz vários desmentidos e mandei carta ao doutor Paulo Lacerda negando que fui o responsável por este material, afirmou.

(*com informações do Congresso em Foco)

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