Em SP, artistas da Praça Roosevelt reclamam de roubos

Os tiros que atingiram o dramaturgo Mário Bortolotto, de 47 anos, e o desenhista Henrique Figueroa, de 30 anos, conhecido como Carcarah - durante uma tentativa de assalto no bar do Parlapatões, anteontem -, representaram o ápice da violência que há vários meses tem aumentado na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, segundo artistas e frequentadores do local. Eles afirmam que os furtos, roubos e brigas já eram constantes no lugar, mas sem registro de tiros ou de agressões contra as vítimas.

Agência Estado |

"O lugar pareceu ser mais seguro com a chegada da classe artística (há três anos), que tentou inserir a população, inclusive os moradores de rua", relata a atriz Guta Ruiz, que estava no dia do crime ao lado dos amigos e chegou a levar uma coronhada dos bandidos. "Mas a contrapartida em segurança não veio para quem está aqui."

O dramaturgo reagiu ao ataque dos assaltantes (pediu para que atirassem nele em vez de machucarem os outros frequentadores do espaço) e foi ferido. As balas atingiram o coração. Bortolotto segue internado em estado grave. Carcarah passa bem, mas continua no hospital.

Cracolândia

O cenário do crime foi o bar que reúne em especial a classe artística após as apresentações de peças de teatro. De acordo com os frequentadores, a situação piorou após a tentativa de revitalização da chamada cracolândia - região na área central ocupada por viciados, a cerca de três quilômetros do local.

"Foi como se tivessem passado um espanador da cracolândia e espalhado os problemas", acredita a atriz Martha Nowill, que faz parte do elenco de "Brutal", peça de autoria de Bortolotto. "Festeja-se muito a virada cultural, programas pontuais, mas e o dia a dia do teatro, como é que fica?", questionou o ator Jiddu Pinheiro. "Não adianta só maquiar o problema. Os artistas estão lá diariamente."

Desde abril de 2005, o governo municipal promete iniciar as obras de revitalização da Praça Roosevelt, uma reivindicação de artistas, moradores e frequentadores do espaço. O corte de quase R$ 5 bilhões feito pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) no Orçamento deste ano impediu o início o projeto, orçado em R$ 40 milhões. São necessárias ainda desapropriações de imóveis vizinhos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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